APRENDIZADO PARA DESASTRES
- Randal Fonseca

- há 1 dia
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Atualizado: há 7 horas
Quais são as suas chances?
O ensino-aprendizado público para desastres começou na década de 1960, mas foi na década de 1990 que o conceito passou a ser utilizado dentro e fora do campo da educação.

Atualmente, diversos métodos de preparação pública para desastres objetivam mudar "condições individuais” incluindo as reações, emoções e percepções. Nesse âmbito, após os ataques às Torres Gêmeas de Nova Iorque, o Reino Unido promoveu uma campanha de ensino para desastres, com métodos como, distribuir panfletos e promover palestras para famílias, e para toda a população entender a natureza dos riscos.
Sob esse aspecto, em 2007, a Gestão de Emergências nos EUA passou recomendar que o ensino para desastres adotaria as etapas de mitigação, preparação, resposta e recuperação.
Atualmente, autores argumentam que a etapa da preparação é didática e, portanto, “uma didática pública”, pois o significado de “didático” neste caso tem a ver com ensinar a população a mobilizar recursos, moldar comportamentos e a orientar cognições e ações.

Os gestores de emergências entendem que um processo “didático” conduzido pelo Estado refere que toda a sociedade deve ser ensinada e aprender com base concretizada.
No entanto, outros cientistas sociais sugerem que a etapa da preparação não é apenas uma didática, mas um processo político. Não é educação, mas condicionamento da população.
A campanha educativa no Reino Unido representou uma intervenção estatal “política” e não apenas de responsabilização, mas para definir o “outro”, a ameaçar a segurança social.

DIDÁTICA PARA O PÚBLICO
Esta forma de metodologia direcionada a Educação para Desastres, quando liderada por autoridades, é na realidade para doutrinar o público, que é diferente de instruir as pessoas.
Nesse aspecto, o local para promover a educação é uma escola real, assumindo que os coordenadores pedagógicos estão atuando numa “escola imaginária” em que o Estado ou seu agente, na realidade está "instruindo" o cidadão a saber como se comportar.
Nesse tipo de ensino-aprendizado o conteúdo das lições é legal ou moral, e os currículos prescrevem ensinar de forma convencional uma propaganda estatal e até uma legislação.
A campanha de educação para desastres, é um exemplo de que o Estado está se propondo a condicionar como a população deve se comportar, sem especificar qual tipo de desastre.

Diante disso muitos governos reagiram a esse tipo de preparação desafinado.
Os gestores de emergência discordaram das leis voltadas a Prevenção de Desastres, como também, das diretrizes dos efêmeros “programas de gestão de risco” pois são orientações indefinidas que causam confusão na etapa da preparação, e ineficácia na etapa da resposta.
AS PRIORIDADES
Essas ordenanças foram revisadas objetivando eliminar novos riscos e existentes até 2030.
As metas incluem reduzir:
1. Mortalidade por desastres com gestão baseada na compreensão em todas as suas dimensões (exposição, vulnerabilidade, capacidade de resistir).
2. Número de pessoas afetadas ao fortalecer as estruturas de gestão e políticas.
3. Perdas econômicas melhorando os investimentos públicos e privados.
4. Danos a infraestruturas com a preparação eficaz para responder e recuperar.
No entanto, há preocupação de que um programa de educação pública tem o potencial de levar ao "apagamento da pluralidade", minando "a política e a liberdade". Esse ponto foi enfatizado, tomando como exemplo os estudos críticos de branquitude protagonizados pela defesa civil nos EUA na década de 1950, e no Reino Unido na década de 1980.

Esses estados propalaram um “discurso racial preconceituoso” e eugênico” para enfatizar a importância da branquitude no contexto dos desastres — tanto real como imaginado.
UMA DIDÁTICA PARA O PÚBLICO
A didática para o público tem o objetivo de garantir a aprendizagem das populações, ao invés de promover a instrução condicionante e direcionada a intenções políticas.
Para isso, o trabalho dos educadores é direcionado por processos e práticas sem que, no entanto, exista um currículo prescrito, mas sim um conjunto de acordos políticos.
A andrologia pública se relaciona melhor com a pluralidade valorizando a política coletiva.
Na Educação para Desastres uma didática para o público pode ser identificada nas abordagens participativas na comunidade, como workshops de partes interessadas que supostamente reúnem várias partes interessadas, então a voz não ouvida, é ouvida.

O início da atividade participativa é controlado por agências externas. A aprendizagem não é, pois, um tipo de processo aberto e natural", mas "um regime muito particular e específico". Sob esse regime, os cidadãos são obrigados a aprender porque a "política de aprendizagem" em vigor é, oportunamente, mandatória.
Assim, problemas sociais e políticos são substituídos por problemas de aprendizagem, colocando a responsabilidade sobre os ombros dos alunos.
Então, considerando que a produção do plano de ação é atribuição da comunidade, e que compete aos próprios aprendizes implementarem as provisões, fica com a população a responsabilidade por quaisquer danos causados por futuras inundações. Algo oportuno.
A CONVENIÊNCIA DA PUBLICIDADE
Indo além da forma restrita de uma pedagogia pública, a alternativa é uma intersecção da educação com a política, já que a busca é sempre pela democracia.
Então a publicidade visa a promulgação de uma preocupação com a "comunidade, isto é, uma preocupação com a qualidade da união dos atores, com a possibilidade de os eventos se tornarem públicos.
Tornar-se público refere-se à "conquista de formas de união popular” nas quais a ação é fazer a liberdade aparecer. A forma pedagógica não é nem instrução nem facilitação, mas apenas mais "ativista", "experimental" e "demonstrativa".
A ação ativista implica em desenvolver "maneiras alternativas de ser e fazer" e "de agir em conjunto", o que permite oportunidades para relacionamento público com pluralidade de alternativas experimentais.
Em oposição a formas conduzir a educação, a opção é experimentar formas públicas de agir em conjunto por meio de cooperação, com ideais e diferenças políticas.
A educação pública é uma forma de demonstrar porque o ativismo político demonstra que as coisas não apenas devem ser feitas de forma diferente, mas que podem ser diferente.

Vincular a Educação para Desastres ao interesse da comunidade envolve abordagens participativas baseadas em consensos. No entanto, quando observada com as lentes do ativismo experimental, o número de instâncias políticas parece diminuir ao unir interesses.
Um exemplo pode ser o caso de dois casais que foram gravemente afetados pela enchente no condado de Essex, na Inglaterra, que já tinha sofrido enchentes por tempestades. Um grupo ativista se envolveu na comunicação pública com reuniões, folhetos e site com o objetivo de proteger os moradores da vila.
As demonstrações experimentais incluíram alertas e avisos de enchentes com base em previsões meteorológicas e medidores de profundidade dos alagamentos, e comportas portáteis para residências sujeitas a inundações.
Os grupos de ação contra enchentes se tornaram uma das principais medidas participativas de resistência a desastres com ações comunitárias e, a seguir muito casos de ativismo experimental ocorreram no Reino Unido.
CRÍTICA DA PEDAGOGIA PÚBLICA
A conexão entre educação para desastres e pedagogia pública pode ser esclarecida ao diferenciar entre uma pedagogia do público, para o público e no interesse da comunidade.
Reconhecer diferentes públicos-alvo fortalece a investigação de uma pedagogia no interesse da comunidade que enceta a iniciativa proativa dos cidadãos. Essa é uma pedagogia experimental na qual os cidadãos agem em conjunto para desenvolver suas próprias metodologias para reduzir os riscos de desastres, atendendo às suas necessidades.
A preparação para a vida comunitária não considera redução de riscos como uma atividade independente separada de outros aspectos da vida cotidiana. Em vez disso, enfatiza a integração de atividades voltadas a redução de desastres em todas as esferas do cotidiano.
Vida cotidiana envolve desde trabalho, estudo, hobby e lazer no nível individual, até cuidados com idosos, segurança de crianças, festivais e eventos esportivos no nível social.
Em outras palavras, reduzir riscos de desastres deve ser incorporado às práticas diárias.
A Educação para Desastres promovida pelo Estado, ou ensinada por especialistas, nem sempre é aceita pelas comunidades devido à falta de recursos, tempo e interesse.
A preparação para a vida toda é uma nova maneira de conceituar a Educação para Desastres, que indaga sobre quais são as suas reais chances diante de impactos.





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