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TRAUMA PEDIÁTRICO

  • Foto do escritor: Randal Fonseca
    Randal Fonseca
  • há 22 horas
  • 5 min de leitura

O TRAUMA INFANTIL LIDERA A CAUSA DE MORTE DE CRIANÇAS

A maioria são automobilísticos, mas "são adultos que colocam crianças nos veículos”.


A cada ano milhares de crianças morrem de traumas automobilísticos.


Os procedimentos são os mesmo aplicados aos traumas em adultos, mas:

  • Crianças não comunicam sintomas como os adultos;

  • A criança fica tímida diante do socorrista de uniforme;

  • O socorrista precisa conquistar a confiança para reduzir o medo e ansiedade;

  • Os materiais para atender o trauma pediátrico precisam ser adaptados;

  • Sinais do choque não se apresentam nas crianças igual que nos adultos;

  • O choque infantil se instala rapidamente mesmo sem sinais presentes.


PADRÕES DE TRAUMA

Os tipos das lesões pediátricas têm a ver com a cena, e com isso os socorristas com especialização pediátrica podem reconhecer padrões e interpretar a causa do trauma.


Os traumas automobilísticos têm características que obedecem a fatores específicos, como:

  • colisão ou batida,

  • velocidade do veículo,

  • tempo de reação do condutor,

  • criança fora do assento infantil,

  • veículo com ou sem airbag,

  • distância do assento,

  • posicionamento do assento

  • assento adequado a idade da criança ou bebê.

Quando um ou mais ocupantes estão soltos dentro do veículo, a tendência em colisão ou frenagem brusca será de se chocarem uns contra os outros, e atingir a cabeça da criança.


Nas quedas de bicicleta o trauma atinge principalmente a cabeça, o pescoço e as extremidades. O uso correto do capacete infantil reduz o trauma na cabeça e na face.


No atropelamento a cinemática do trauma infantil atinge principalmente o abdômen e a cabeça, provocando sangramento interno, fratura de fêmur e lesão na face e no crânio.


Os afogamentos de crianças ocorrem por descuido dos adultos.

Os traumas infantis em piscinas são por saltos de trampolins e descidas de escorregadores Esses golpes em geral são contra outras pessoas, com lesão na cabeça e coluna vertebral.


Ao conhecer as características das atividades e os padrões de impactos associados a atividades em piscinas, é possível projetar o tipo de lesão a ser encontrado na avaliação.

Independentemente da natureza do trauma, é fundamental o socorrista identificar e corrigir qualquer ameaça iminente a vida e, a seguir, fazer o exame físico dos pés à cabeça.

Lembre-se de que em vítimas pediátricas o exame físico deve ser iniciado pelos pés.


Queimaduras térmicas ou elétricas acometem crianças pequenas por descuido dos adultos.


O exame dos “pés à cabeça” busca problemas que a criança não consegue expressar.

Mas a criança deve ser envolvida o máximo possível ao conduzir um exame meticuloso.


Mesmo que a vítima pediátrica seja muito pequena, o exame dos pés à cabeça ajuda reconhecer a extensão dos problemas. Atenda todas as lesões na medida em que encontrar.


Aplique compressa e bandagem nos ferimentos, e imobilize a cabeça e coluna vertebral.


Ao atender lacerações na cabeça, lembre-se de que a vasta vascularização do escalpo e face produz sangramento profuso que precisará ser ocluído com compressas estéreis secas, pressão direta e bandagens. Se suspeitar de fratura estabilize as extremidades.



ESTADO DE CHOQUE INFANTIL

Crianças apresentam sinais e sintomas do estado de choque em uma proporção mais lenta que os adultos, mas os estágios do choque evoluem de forma muito mais rápida.

Uma criança apresentando sinais de choque, como pele fria e pegajosa, pulso rápido e fino, respiração rápida e curta, já deve ser considerada como vítima grave de estado de choque.


SINAIS QUE PERMITEM RECONHECER O ESTADO DE CHOQUE INFANTIL


O choque infantil é observado pelas manifestações clínicas de perfusão comprometida.


SINAIS DO ESTADO DE CHOQUE INFANTIL


CARDIOVASCULARES

Inicial = taquicardia, pressão, normal

Posterior = bradicardia, hipotensão,  perfusão distal lenta, pulso distal fino


NA PELE

Inicial = fria, pálida

Posterior = fria, pegajosa, acinzentada


NEUROLÓGICOS

Inicial = combativo, ansioso, confuso, irritado

Posterior = alterado, comatoso


NA RESPIRAÇÃO

Inicial = curta, rápida

Posterior = difícil, irregular, apneica, entrecortada


OUTROS SINAIS CLÍNICOS IMPORTANTES: sensação de sede e frio; micção reduzida.


RECOMENDAÇÕES AOS SOCORRISTAS

Ao atender para o choque, controle qualquer sangramento externo, posicione deitado, preserve a temperatura corporal sem aquecer. Se não houver suspeita de fratura na cabeça, coluna vertebral ou extremidades inferiores, eleve as pernas cerca de 30 cm. Se o choque for por problemas respiratórios, posicione sentado, reclinado, e afrouxe roupas na cintura.



PROCEDIMENTOS IMEDIATOS PARA O CHOQUE INCLUEM:

  • Administrar oxigênio se tiver treino.

  • Proteger a cabeça se houver crise convulsivas.

  • Liberar as vias aéreas,

  • Avaliar a qualidade da respiração

  • Monitorar a frequência respiratória,

  • Controlar qualquer sangramento,

  • Remover rápido para um hospital


ABUSO INFANTIL


O abuso infantil não fica limitado a grupos étnicos, sociais ou econômicos ou, à níveis específicos de escolaridade. Sempre que os padrões do trauma em vítima pediátrica não combinar com a história contada pelos pais ou responsável, suspeite de abuso infantil.

Em geral, os pais ou responsáveis relatam histórias de “acidentes” anteriores.

  • Abusadores procuram dissimular, dizendo que as lesões foram incidentais.

  • A vítima apresenta lesões evidentes de abuso

  • A cicatrização se apresenta em diferentes estágios.

  • A criança fica tímida, isolada, com medo ou hostil.

  • A aparência física pode ser precária, malnutrida.

Os sinais típicos de abuso infantil incluem:

  • Fraturas múltiplas;

  • Contusões (especialmente concentradas no tórax braços e nádegas);

  • Mordidas humanas;

  • Queimaduras de cigarro;

  • Marcas de escaldamento.


Os relatos descrevem situações sem conexão óbvia e sem correlação com as evidências.


Atenda a vítima de acordo com cada tipo de lesão encontrada e, se suspeitar de abuso infantil, comunique as autoridades para a segurança e apoio a criança. Leve ao hospital.

Se os pais ou responsáveis fizerem alguma objeção e não quiserem que a criança seja examinada por um médico, chame a polícia e exponha suas preocupações.


A segurança da criança, nessa situação, é aspecto preponderante. Lembre-se de que nesses casos a situação é complexa, pois os pais também necessitarão de ajuda profissional e a criança, necessitará de proteção contra futuras represálias infligidas por adulto.


Na maioria das vezes não é possível ter certeza de quem possa ser o abusador.


AGRESSÃO SEXUAL

Abuso sexual pode ser direcionada a bebês, crianças e jovens, praticada por pessoas do sexo masculino ou feminino, e pode ser membro da família, vizinhos ou até amigos íntimos.



Além da agressão sexual, a criança pode ter sofrido espancamento e submetida a outros tipos de maus tratos, incluindo emocionais que deixam sequelas psicológicas. Se houver suspeita de que a criança sofreu agressão sexual procure obter o maior número possível de informações, entrevistando a criança e qualquer testemunha.


Não faça julgamento antecipado e obtenha a confiança da vítima.

É possível encontrar vítima emocionalmente desequilibrada, histérica que não consegue se expressar ou não quer falar, especialmente se o agressor for pessoa íntima, como irmão ou irmã, um dos pais, enteado ou amigo da família.


A agressão sexual é crime. Coopere com a polícia. Vítimas de agressão sexual devem ser removidas para um hospital. Com ternura, proteja de curiosos oportunistas.


CONSELHO AOS SOCORRISTAS

Há que se considerar que os socorristas têm vítimas pediátricas no escopo de suas ações.

O acúmulo de ocorrências com crianças e bebês poderá produzir reações emocionais.


Em algumas circunstâncias o socorrista poderá se sentir impotente ao atender um inocente vulnerável gravemente ferido, doente ou molestado. Nesses episódios, a maioria de nós associará a criança aos nossos filhos e sobrinhos. Nos casos de sofrimento imposto por adultos, a tendência será a de julgar e mesmo aplicar ações corretivas nesses indivíduos.


Também é possível ficar afetado psicologicamente por estar de “mãos atadas”.

Porém, o conselho é que o socorrista se conscientize da essência de ajudar a vítima.

É nisso que socorristas devem concentrar atenção e nunca desviar da função altruísta.

Não misturar convicções pessoais com as incumbências funcionais dos representantes da lei.


Depois de atender a vítima pediátrica e transferir para a equipe da ambulância, será aconselhável buscar ajuda psicológica para compensar as eventuais frustrações.


Profissionais de saúde mental, como psicólogos ocupacionais, oferecem o DEDIC.

É impossível descrever os tipos de ocorrências nefastas a que os socorristas ficam expostos.


A realidade é que não se pode mudar os eventos traumáticos, mas podemos utilizar os recursos de suporte emocional para minimizar efeitos colaterais e manter a determinação.

Discutir assunto desagradável fortalece a capacidade de enfrentar condições similares.

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