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MALES SÚBITOS PEDIÁTRICOS

  • Foto do escritor: Randal Fonseca
    Randal Fonseca
  • 14 de jun.
  • 9 min de leitura

SINAIS E SINTOMAS EM JOVENS E CRIANÇAS QUE INDICAM MAL SÚBITO

O estado mental alterado em jovens e crianças pode ser provocado por uma diversidade de condições, incluindo baixa quantidade de açúcar no sangue, intoxicação, sequestro emocional, infecção, trauma na cabeça e níveis de oxigênio diminuídos.


Em geral é possível determinar a origem do estado mental alterado e corrigir o problema.

Procure obter o Histórico de Saúde (SAMPLE).

  • S - Sinais / Sintomas;

  • A – Alergias;

  • M – Medicamentos;

  • P - Passado pertinente;

  • L - Líquidos e sólidos ingeridos;

  • E - Eventos associados.


Os males súbitos em crianças e adolescentes são poucos, no entanto, representam a maioria das chamadas de ambulâncias, por isso é importante reconhecer os sinais e sintomas e determinar os procedimentos de acordo com a natureza do problema.


Por exemplo, os pais podem dizer que a criança é diabética e que está sofrendo um choque por insulina. Embora a condição possa causar alteração do estado mental, pode ser corrigida administrando açúcar.

No entanto, se não obtiver uma informação sobre o porquê de o estado mental estar alterado, então o procedimento será avaliar os sinais identificados e sintomas relatados.


Se estiver diante de criança ou adolescente apresentando sinais de estado mental alterado, faça a avaliação inicial considerando indícios físicos que possam estar presentes na cena.

Coloque na posição de recuperação a criança com respiração normal, mas que estiver inconsciente, para manter aberta as vias aéreas e drenar eventuais secreções bucais.


EMERGÊNCIAS RESPIRATÓRIAS

Emergências respiratórias em vítima pediátrica podem variar de um simples resfriado até bloqueio total das vias aéreas. Os problemas respiratórios mais comuns em crianças são provocados por resfriados. Um simples resfriado em bebê com menos de seis meses de idade, ao entupir as narinas é considerado como caso grave.


O mesmo problema em uma criança que já respira pela boca não será tão significativo. No entanto, além do bloqueio nasal pelo resfriado, há outras três condições mais graves:

  1. Asma

  2. Difteria laríngea

  3. Epiglotite.


  1. ASMA

A asma acomete vítimas de qualquer idade.

Uma criança asmática geralmente já tem um médico responsável. Porém, os pais poderão acionar uma ambulância caso a criança sofra uma crise fora do comum.

A asma é um espasmo (constrição) das vias aéreas inferiores.


A constrição dos brônquios produz um som característico. Crises de asma podem variar de brandas a graves e podem ser provocadas por diversos fatores, incluindo ácaros, pelos, fumaça, pólen, penas, poeira e sequestro emocional. Uma criança em crise de asma apresenta dificuldade respiratória que quando grave é possível identificar o som característico. Ou seja, o ar entra para os pulmões com facilidade, mas fica com restrição ao ser espirado. O esforço é penoso e assustador para a criança.


A criança deve ser instruída a assoprar de forma longa como ao encher um “balão virtual”.


A criança consegue inspirar, mas precisa fazer força para expirar.


Durante a crise a pessoa precisa ficar sentada e recostada para facilitar a respiração.

Na criança esse recurso ajuda acalmar e os pais perceberão que algo está sendo feito.


Essa estratégia expiratória alivia pressões internas do pulmão provocadas pela asma. O atendimento do socorrista deve incluir atenção em acalmar e confortar os pais.



Se a criança possuir medicação (bombinha) para asma prescrita pelo médico, auxilie a administrar o medicamento. Os pais devem contatar o médico da criança para obter aconselhamento adicional, ou providencie a remoção rápida para um hospital.


















  1. DIFTERIA LARÍNGEA (Crupe)

A difteria laríngea é uma infecção que atinge as vias aéreas superiores de crianças entre 6 meses e 4 anos de idade. A infecção produz inchaço na parte inferior da garganta e provoca um estreitamento das vias aéreas.



A redução das passagens de ar provoca um barulho rouco, similar aos sons de latido de cachorro ou foca. A difteria laríngea ocorre em geral em climas mais frios (durante o outono e o inverno) e é quase sempre acompanhada por um resfriado. A criança experimenta febre moderada e os sons roucos aumentam ao longo do tempo.


Os seis principais sinais da difteria laríngea são:

  • Inspirações barulhentas e estridentes

  • Tosse rouca, similar a latido de cachorro ou foca

  • Tosse que se dá com mais frequência durante a noite

  • Histórico de resfriado recente ou presente

  • Ausência de medo ou ansiedade*

  • Vontade de se deitar* 

Os dois itens com sinais (*) listados na relação acima são importantes, pois ajudam a distinguir a difteria laríngea da epiglotite. A epiglotite é uma condição de ameaça a vida.

A difteria laríngea pode assustar os pais, mas em geral não assusta a criança.


O profissional médico da criança pode repassar instruções ou indicar um hospital.

Em emergências pediátricas, é preciso considerar as condições emocionais dos pais. Nem sempre uma tosse barulhenta é difteria laríngea, pois pode ser engasgamento.


  1. EPLIGOTITE

O terceiro mais grave problema respiratório em vítima pediátrica é a epiglotite, pois bloqueia totalmente a traqueia. Em geral acomete crianças entre 3 e 6 anos de idade.

A epiglotite é uma inflamação aguda que causa inchaço na epiglote e impede a entrada do ar para a traqueia, A criança não se deita, não engole saliva, não tosse e nem baba, a mandíbula fica projetada; a criança fica ansiosa, com medo porque percebe que algo está errado. Não confunda epiglotite com difteria laríngea (Crupe), pois a epiglotite é uma condição grave e representa ameaça iminente à vida.


Nunca examine a garganta de uma criança com suspeita de epiglotite. O exame aumentará o inchaço e bloqueará completamente as vias aéreas.


Ao atender vítima de epiglotite, transmita confiança com o mínimo de manuseio. Remova rápido para um hospital. Há pouco a ser feito, exceto manter a calma e, se tiver treino, administrar oxigênio. Durante a remoção, um progenitor pode segurar a criança, se isso puder favorecer a condição emocional da criança.


MALES PROVOCADOS PELO CALOR

Os males provocados pelo calor podem variar de câimbras musculares a vômito, desidratação pelo calor e intermação. Para crianças e bebês a intermação é o pior.


Uma criança deixada dentro de um veículo fechado e estacionado em um dia quente ou em uma sala com pouca ventilação, poderá apresentar sinais de intermação.


A intermação é uma condição grave e quase sempre fatal.


O atendimento imediato inclui, remover as roupas, cobrir com toalhas molhadas e abanar para resfriar melhor. A evaporação do suor baixa a temperatura corporal. Se não houver disponibilidade de toalhas para molhar, utilize qualquer tipo de tecido, como lençol, camisa etc. Providencie remoção rápida para um hospital.


FEBRE ALTA

Febre alta em crianças pode ser provocada por infecções, especialmente de orelha, garganta e gastrintestinais. O mecanismo regulador de temperatura corporal em crianças ainda não está completamente desenvolvido, permitindo chegar a 40º C - 41º C em decorrência de infecções que, relativamente, não apresentariam maiores problemas.


Por outro lado, pode ocorrer de uma criança com infecção grave não apresente febre.

Temperaturas corporais elevadas como 40º C, são bem toleradas pela maioria das crianças. No entanto, dependendo da criança, essa mesma temperatura elevada pode requerer hospitalização imediata, para ser diagnosticada pelo médico.


A primeira ação a ser feita para criança com febre alta é dissipar o calor do corpo.


Quanto mais roupas a criança estiver envolvida, mais o calor gerado pela febre aumentará podendo levar a criança a fazer uma crise convulsiva. Cerca de 10 % das crianças entre 1 e 6 anos de idade são suscetíveis a crises convulsivas provocadas por febre alta. Ao reduzir a febre os procedimentos atuarão sobre o sinal e não da causa.

A criança deverá ser examinada imediatamente por um médico.


CRISE CONVULSIVA

Crises convulsivas podem resultar de febre alta ou distúrbios neurológicos como a epilepsia. Uma crise convulsiva pode variar de intensidade, desde ausências momentâneas até espasmos musculares involuntárias. Embora o estado comicial provocado por uma convulsão possa produzir um quadro nada agradável para os pais e outras pessoas, em geral, não representam uma emergência grave.



Durante a crise a criança perde a consciência, os olhos viram para trás, os dentes ficam cerrados e o corpo é sacudido. A pele ou mucosa da criança fica pálida ou azulada.


Convulsões por febre alta duram cerca de 20 seg., com incontinência intestinal e urinária.


Ao atender, posicione a criança sobre uma superfície macia (sofá, cama ou tapete) ou coloque um agasalho por debaixo, para protegê-la de trauma pelas convulsões.

Pode ocorrer de os pais ficarem assustados e precisarem ser retirados do recinto.


O atendimento a crise convulsiva consiste em:

  1. Ajudar a vítima na queda;

  2. Posicionar sobre superfície macia para evitar trauma;

  3. Afastar pessoas do local;

  4. Esfriar o corpo após a crise se a febre alta persistir;

  5. Monitorar a respiração após a crise;

  6. Administrar oxigênio após a crise, se tiver treino;

  7. Remover para um hospital se voltar a convulsionar;

  8. Aplicar a RCP se não voltar a respirar normalmente;


DOR ABDOMINAL

As crianças são suscetíveis a experimentar dores abdominais que geralmente são provocadas por infecções gastrintestinais. Diarreia ou vômito prolongados podem desidratar. A criança desidratada fica letárgica e apresenta pele, boca e nariz secos.


Em determinadas circunstâncias pode ser necessário remover para repor fluidos por via endovenosa no hospital. Em alguns casos a dor abdominal pode ser de apendicite.


Apendicite pode acometer pessoas de qualquer idade, mas geralmente são as com idade entre 10 e 25 anos que apresentam maior incidência.

  • A dor inicia na área do umbigo ou do estômago, como se fosse cólica.

  • A dor passa para o quadrante inferior direito do abdômen

  • Em geral, a dor fica aguda e insuportável dentro de horas.

  • Em geral a criança perde o apetite e pode ocorrer vômito.

  • Além de apendicite existem outras causas de dores abdominais.

  • Mesmo médicos têm dificuldade para diagnosticar a causa de dores abdominais.

  • Para dores agudas de abdômen a indicação é remover rápido para um hospital.


INTOXICAÇÃO

Crianças são curiosas e gostam de levar à boca tudo que encontram de novidade, principalmente o conteúdo de garrafas ou latas que possuam cores vibrantes, pois acreditam que contêm algo bom para comer ou beber. No entanto, muitos desses produtos com embalagens atrativas contêm substâncias tóxicas. Os dois tipos mais comuns de intoxicação em criança são provocados por ingestão e absorção.



Se houver suspeita que a criança ingeriu uma substância tóxica siga as instruções:

  1. Identifique a substância ingerida;

  2. Estime a quantidade ingerida;

  3. Ligue para o CEATOX (0-800.0148.110;

  4. O médico do CEATOX poderá recomendar ir ao hospital;

  5. Se foi comprimidos junte os que forem encontrados e coloque de volta na embalagem;

  6. Leve a embalagem da substância com a criança para o hospital;

  7. O toxicologista poderá sugerir quantos comprimidos a criança ingeriu.


O atendente no CEATOX solicitará pelo telefone:

  • Idade e peso da vítima

  • Identificação da substância tóxica

  • Quantidade aproximada ingerida.

  • empo decorrido desde a ingestão.


Pelo telefone o médico do CEATOX poderá instruir:

  • Administrar carvão ativado, se tiver treino;

  • Doses pediátricas estão entre 12.5 g e 25 g;

  • Monitorar a respiração;

  • Iniciar a RCP se não respirar normalmente.

  • NUNCA administre fluidos nem induza ao vômito.


ABSORÇÃO

  • A absorção ocorre quando a substância tóxica entra no corpo através da pele.

  • A intoxicação pode apresentar sinais como irritação da pele ou queimadura

  • A intoxicação pode provocar náusea, vômito, tontura e choque.


Se houver suspeita de a criança ter absorvido uma substância tóxica:

  • Afaste a criança da substância;

  • Remova as roupas da criança;

  • Lave a área atingida ou todo o corpo com água corrente durante 20 minutos;

  • Escove produto químico não diluído antes de lavar;

  • Lave bem as roupas da criança e o local com produto químico acumulado.

A absorção pode ser por defensivos agrícolas ou produtos de limpeza, e entrar através da pele e dos olhos, causando inclusive queimadura químicas com dor excruciante.


SUBSTÂNCIA QUÍMICA OU OBJETO NO OLHO

Lave suavemente o olho (ou olhos) afetado com água em queda livre por pelo menos 20 minutos. Mantenha aberto o olho para que a água escorra por toda a superfície. Direcione a água do canto interno para o externo evitando atingir o outro olho.

Depois de lavar os olhos por 20 minutos, cubra tanto o olho ferido quanto o olho bom, com gaze estéril úmida e providencie a remoção imediata da criança para o oftalmologista.


SÍNDROME DE MORTE SÚBITA INFANTIL – SID

Essa é uma condição que pode ser confundida com abuso infantil.

A necropsia declara ser morte de bebê saudável, sem nenhuma razão clínica ou provocada.


A SID acomete bebês entre 3 semanas e 7 meses de idade. Os bebês são encontrados mortos em seus berços e não há explicação científica plausível para a SID.


Embora possa ser suscitado, as mortes não são por asfixia, engasgo ou estrangulamento.

É impossível imaginar a dor dos pais ao encontrar seu bebê saudável, subitamente morto. O remorso e culpa podem ser amenizados pelas atitudes e palavras de um socorrista.


Se o bebê ainda estiver quente, aplique a RCP até a chegada do Resgate.


O resfriamento térmico é atingido 24 horas após a morte. Na maioria dos casos o bebê está

morto há várias horas e o corpo está frio e sem vida. As manchas semelhantes a contusão no corpo do bebê podem ser confundidas, mas não são sinais de abuso infantil.


Essas manchas são hipóstases de fenômenos abióticos transformativos (livores cadavéricos).


A rigidez cadavérica (Rigor Mortis) decorre das proteínas: actínias e miosinas que ao desidratar estimulam a contração muscular e, após 12 horas. essa mimetização de contração se desfaz pela decomposição do tecido muscular.


Às vezes, pode haver pequena quantidade de espuma com sangue nos lábios do bebê. Passe as informações às autoridades médicas s da agência para o caso de SID.


Os pais não poderiam ter feito nada para evitar a SID, que continua sendo inexplicável.


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