top of page

PIONEIRISMO E CRIATIVIDADE

margarete2331
25 de jun.
7 min de leitura

Atualizado: 8 de jul.

CRIATIVIDADES QUE ABRIRAM FRONTEIRAS HISTÓRICAS


Atualmente, há em destaque no Rio de Janeiro o maior aquário marinho da América do Sul, com 4,5 milhões de litros. O nome AQUA-RIO foi atribuído a essa estrutura em homenagem a empresa pioneira fundada em 1976 na Urca, com sede náutica na região norte fluminense.


A AQUA-RIO CENTRO DE ATIVIDADES SUBAQUÁTICAS, de iniciativa privada, alavancou a partir de 1979 o mergulho amador e o turismo náutico na região de Cabo Frio, RJ.


A AQUA-RIO Centro de Atividades Subaquáticas Ltda. ficava localizada na então Rua da Gamboa, 31, atualmente nomeada como Rua José Rodrigues Póvoas, CEP 28924-180.

Paulo Groff() e Randal Fonseca numa imagem dos primórdios do mergulho amador (1976).


Para mais acesse:


Randal Fonseca, idealizou e fundou a AQUA-RIO Centro de Atividades Subaquáticas, com as operações administrativas na Urca, RJ e as náuticas em Angra dos Reis, Arraial do Cabo e em Cabo Frio, onde edificou a loja e a fábrica de aquários marinhos na Rua da Gamboa 31.


Os aquários marinhos na Gamboa tinham finalidade educativa, pois servia como amostra do pouco conhecido "fundo do mar", e assim sensibilizar e educar crianças e adultos.


Em apresentações de slides narradas, imagens dos aquários eram exibidas nas escolas para divulgar a diversidade da vida marinha, a exemplo dos espongiários, corais, crustáceos, anêmonas, nudibrânquias e peixes de várias espécies que habitam as áreas costeiras.


Naqueles anos iniciais da década de 1970, vicejava um discurso prepotente que asseverava serem os oceanos o futuro celeiro do mundo. Ledo engano. São os litorais, não os oceanos.


A maioria da vida marinha está nas águas costeiras, onde ficam os frágeis bancos de corais.

No entanto, esses mananciais há décadas estão sendo contaminados por fertilizantes e lixo.


O lixo, especialmente o plástico, mata a fauna marinha por ingestão e aprisionamento.

Os defensivos agrícolas escoam ao longo dos rios chegando ao litoral onde provocam a eutrofização; termo que define a proliferação sufocante de algas, pelo acúmulo excessivo de nutrientes, como fósforo e nitrogênio. As algas descontroladas bloqueiam a luz solar.


Na medida em que morrem, as algas decompostas por bactérias usam o oxigênio da água.

O despejo de efluentes sem tratamento e de fertilizantes químicos ricos em nutrientes são também carregados superficialmente pelas chuvas, até contaminarem os mananciais.


ATIVIDADES EM FERNANDO DE NORONHA

No período de 1985 a 1997, Randal foi sócio de Russell W. Coffin na empresa AGUAS CLARAS PRODUÇÕES SUBMARINAS e protagonizou a FUNDAÇÃO AMÉRICO VESPÚCIO para coordenar ações conjugadas de Arqueologia Subaquática e Educação Ambiental.


Palestras com mostra de slides eram ministradas aos visitantes na sede da empresa.

O Quonset Hut (Iglu duplo na foto) foi totalmente recuperado para a sede da Águas Claras.


Base do 11º Posto de Observação de Mísseis Teleguiados (MILS: 1957 - 1962), em Fernando de Noronha, concedido aos americanos pelo presidente Juscelino Kubitschek.


ALERTA ECOLÓGICO

Todos as noites, partir das 20 horas, os visitantes eram trazidos à sede da Águas Claras e reunidos no salão para conhecerem as atividades dos biólogos, geólogos, ecólogos e pesquisadores que alimentavam o BNDO - Banco Nacional de Dados Oceanográficos, contribuindo para a Soberania Territorial do Mar de 200 Milhas (Acordo da Jamaica-1986).


OS ESTUDOS COMPARATIVOS DAS ILHAS OCEÂNCIAS BRASILEIRAS

A AGUAS CLARAS deu o suporte logístico às equipes de cientistas das universidades e do Observatório do Valongo que comparativamente estudavam a formação geológica da Antártica que no mesmo movimento geológico fizeram surgir as ilhas oceânicas brasileiras, como Trindade, Martim Vaz, Fernando de Noronha e os penedos de São Pedro e São Paulo.


SEDE DOS ESTUDOS DA "MARÉ DE CROSTA"

A AGUAS CLARAS deu suporte ao PROJETO DE ESTUDO COMPARATIVOS DAS ILHAS OCEÂNICAS BRASILEIRAS, auxiliando a instalar o laboratório e a infraestrutura de apoio aos cientistas das universidades: VALE DO RIO DOS SINOS e FEDERAL DO PARANÁ.


O estudo Magnetotelúrico (MT) das universidades, utilizava as variações naturais do campo magnético terrestre para medir a resistividade elétrica do subsolo, mapeando as estruturas desde poucos metros até centenas de quilômetros de profundidade, com vista a exploração de aquíferos termais e da dinâmica da crosta terrestres abissal com a formação da Antártica. Ou seja, era parte dos estudos conduzidos na Base Almirante Ferraz.


Henrique Fenstenseifer idealizou os estudos comparativos e liderou as equipes de cientistas da universidades em Noronha, até serem interrompidos pelo turismo brega.

Henrique Fenstenseifer foi protagonista da Base Almirante Ferraz instalada na Antártica.


SEDE DO PROJETO TAMAR

O material da sede do TAMAR foram trazidos pela AGUAS CLARAS que auxiliou a construir. Durante este período os cientistas, ambientalistas e mergulhadores da ÁGUAS CLARAS cooperavam com os biólogos, dando apoio subaquático ao projeto de Guy Marcovaldi.


VISITANTES OBSERVAM A ECOLSÃO DOS OVOS DA TARTARUGA CHELONIA MYDAS


"BAUPTISMO DE BUCEO"

Origem do termo do Batismo Submarino, é uma designação criada pelos argentinos em Cabo Frio (1980,) como introdução ao SCUBA DIVING, sem precisar obter credenciamento.

Naquela época, já era exigido o credenciamento, mas a criatividade dos argentinos que visitavam Búzios e Cabo Frio, demonstrou ser possível preparar um turista para fazer uma imersão de alguns minutos, acompanhado por um instrutor, como se fosse a primeira aula prática do OPEN WATER DIVING COURSE: por isso lhe chamavam "bautismo de buceo".


O CONTRIBUTO DE LOS HERMANOS

Foi em Cabo Frio que argentinos incentivaram o "batismo submarino". Uma prática que logo se espalhou pelo mundo, e atualmente é a porta de entrada para uma quantidade imensa de pessoas que sensibilizadas decidem obter o certificado de mergulhador.

Nos EUA esse passo inicial é chamado de Entry Dive Experiency, ou Splash Party.


ESFORÇOS CONJUGADOS

Paralelamente, além de sensibilizar mais de 60 mil mergulhadores, Randal com sua equipe polivalente, deu suporte náutico e submarino ao PROJETO DE ESTUDO COMPARATIVOS DAS ILHAS OCEÂNICAS BRASILEIRAS, ao oferecer a infraestrutura de apoio aos cientistas das universidades: VALE DO RIO DOS SINOS e FEDERAL DO PARANÁ em vários estudos.


A AGUAS CLARAS AUXILIOU O ENTÃO IBDF A COIBIR A PESCA NO ATOL DAS ROCAS

O Atol das Rocas é a primeira unidade de conservação marinha do Brasil, criada em 1979. A Reserva Biológica foi criada pelo então IBDF e a ÁGUAS CLARAS promovia o suporte náutico para transporte de artigos de subsistência e para troca quinzenal de pesquisadores.

CAMPANHA DE BUSCA E LOCALIZAÇÃO DO NAUFRÁGIO DE 1503

Randal, cumprindo a missão que o levou a residir em Fernando de Noronha e a assumir as cotas societárias e comando operacional ÁGUAS CLARAS PRODUÇÃO SUBMARINAS em Fernando de Noronha (foto abaixo), conduziu a pesquisa arqueológica subaquática que localizou os vestígios da Nau Capitania de 1503, que naufragou nas águas do entorno de Fernando de Noronha, capitaneada por Gonçalo Coelho e descrito por Américo Vespúcio na LETTERA, uma obra literária de 1505 -1506 que se tornou sucesso na Europa seiscentista.


O SUCESSO DA INVESTIGAÇÃO ARQUEOLÓGICA

A Campanha de Busca e Localização do Sítio do Naufrágio de 1503 contou com cientistas da Universidade Federal do Paraná, liderados pelos professores Eduardo Ratton e Henrique Fenstenseifer e, da Universidade do Rio dos Sinos, liderados pelo professor Fábio Troian.


Em Brasília, teria sido impossível atravessar os infindáveis requisitos documentais sem a determinação de Edson José da Silva, meu sogro na época, que durante quatro anos peregrinou incansavelmente pelos ministérios responsáveis pelas autorizações oficiais.


COOPERAÇÃO INTERNACIONAL

A Campanha foi abrilhantada pelo amigo arqueólogo Craig Benson (abaixo) que operou as avançadas tecnologias não-invasivas de varredura submarina, liberados em 1990, para uso científicos e enviados ao Brasil por Charles Green da Universidade de Syracuse (NY - EUA).

A cooperação dos EUA resultou do empenho de Bill Smith, da Brazilian Scuba Tours, um amigo eterno, engenheiro eletrônico, que entendeu ser Estados Unidos da América o país que homenageou o navegador e geógrafo italiano. O primeiro registro oficial foi redigido por Thomas Jefferson, em 04/07/1776, data em que se tornou independente da Inglaterra. 


OS RESULTADOS

Neste âmbito, o resultado da pesquisa arqueológica submarina, iniciada em Cabo Frio (1983) e concluída em Fernando de Noronha (1992), foi encaminhada pelo então Ministro Sérgio Telles do Ministério das Relações Exteriores para o Comitê Internacional na Espanha, por ocasião da celebração dos 500 anos dos Descobrimentos em Sevilha, 1992.


PUBLICAÇÃO OFICIAL DOS RESULTADOS

O Ministro das Relações Exteriores reiterou em seu despacho "ter essa sido a primeira investigação submarina de sucesso utilizando técnicas não-invasivas, de forma a garantir a preservação do substrato do sítio arqueológico de 1503, que ficava dentro dos limites do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, decretado em 1988.


Historicamente, foi o naufrágio ocorrido em 1503 que o navegador Américo Vespúcio revelou "serem as terras do além-mar na realidade um continente", um Novo Mundo e não uma ilha, como Pedro Álvares Cabral três anos antes havia batizado como Vera Cruz.


Os dados geográficos produzidos por Américo Vespúcio, revelaram o que Cartógrafo, Martin Waldseemüller (c. 1475–1520), um humanista alemão incluiu nos registros do seu planisfério de 1507, chamado Universalis Cosmographia.

Waldseemüller nomeou as terras recém-descobertas como "América" em homenagem a Américo Vespúcio que o revelou. Esse mapa é a "Certidão de Nascimento da América".


Saiba mais sobre Randal Fonseca

Palestrante e desenvolvedor de sistemas com tecnologia da informação, protagonista da disciplina Gestão de Emergências e do Jornal, a ser acessado em: WWW.JGE.APP.BR


Randal é autor de vários livros, artigos e material didático de diferentes cursos e contextos.


Para mais, acesse:


PROJETO EDUCAÇÃO SOCIOAMBIENTAL EM ARRAIAL DO CABO - 1979 - 1984

Atividades típicas da região de Cabo Frio ensinadas aos alunos do colégio Montessoriano.


O Projeto Paulo Moreira da Silva, ocupa as antigas instalações da Taiyo Fishery Company, empresa japonesa que em 1960 explorava a carne de baleias em Arraial do Cabo.



PROJETO EDUCACIONAL AQUARIO - 1980 - 1984

Alunos e professoras do Colégio Constructo Sui, do Rio de Janeiro, coordenados pela Grand Mestre Thalita de Almeida, vinham três vezes ao ano, por três dias, para estudar a pesca Artesanal, a extração de sal nas salinas; o funcionamento do Farol de Cabo Frio, a construção de canoas, as dunas, praias, formação de nuvens e correntes marítimas.


REGISTRO HISTÓRICO

A Revista Domingo do Jornal do Brasil (JB) publicou entre os anos 1980 - 1987 artigos do inovador Projeto de Educação Ambiental, em Arraial do Cabo, pela AQUA-RIO Atividades Subaquáticas, direcionado ao Colégio Constructo Sui, sob a gestão de Thalita de Almeida.


Embora o Jornal do Brasil tenha encerrado suas edições impressas da Revista Domingo em 2019, os registros das atividades educacionais praticadas em contato direto com a natureza e com os povos do mar ficaram disponíveis no formato digital: JB Online.



A Revista Domingo cobria comportamento, política e cultura, com publicações icônicas. Edições antigas da Revista Domingo e do JB impresso podem ser encontradas na Hemeroteca Digital Brasileira, que disponibiliza arquivos da década de 1980 em diante.





Comentários


bottom of page