1 - EMBARCAÇÃO ARTESANAL
- Randal Fonseca

- 26 de mai.
- 3 min de leitura
RECONVENÇÃO DA CONSTRUÇÃO NAVAL
Herança cultural no patrimônio histórico e ambiental

EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E CULTURAL
Sob o ponto de vista logístico-pragmático e econômico-operacional, a embarcação artesanal navega a partir das comunidades tradicionais. Comparativamente às embarcações industriais, as construções artesanais são de custo-benefício operacional, simplicidade de manobras e facilidade documental junto a Marinha
Acima de tudo essas embarcações trazem um valor cultural agregado por estarem relacionadas ao folclore da pesca de subsistência, que é alinhada ao turismo ecológico.

ADAPTADAÇÃO ÀS CARACTERÍSTICAS GEOGRÁFICAS
A Educação Patrimonial e Cultural engaja a reconvenção das embarcações artesanais com vista ao apoio à navegação e a arte de marear, dando suporte a atividades recreativas e de investigação em arqueologia subaquática, objetivando os estudos do patrimônio material.

No tocante à tripulação, além de engajadas na pesca, esses marinheiros atendem à demanda de atividades do turismo náutico e da pesca submarina de subsistência.
Esse conjunto dá oportunidade aos nativos das localidades e marinheiros regionais a reunirem o conhecimento técnico da atividade náutica, com o empírico das atividades pesqueiras e “descobrem” por suas expertises os melhores pontos para pesca.
A observação de lajeados possibilita localizar armadilhas como “agarro de redes” que, em vários casos, revelaram não só rochas, mas cascos soçobrados de origem desconhecida.
BAIXO CUSTO, SIMPLICIDADE E FACILIDADE DOCUMENTAL
As técnicas de reconvenção para adaptar a náuticas dos mergulhos arqueológicos constituem um desafio para os carpinteiros artesãos especializados em pesca.

A somatória desses desafios contribuem com um aprendizado com várias vertentes. Os mestres carpinteiros, como ocorre em Portugal, atuam no processo fazendo um discurso mediador, ao adequar barcos aos anseios de mergulhadores e de estudiosos da navegação do passado, sem a necessidade de estar erigindo estaleiros próprios.
TRAÇAR ROTAS SEGURAS
Embarcação artesanal traz em seu sentido um movimento social e ambiental, ao serem projetadas para navegar com especificidades funcionais às condições da maritimidade de cada região, sem descuidar do temperamento de seus comandantes e tripulantes.

Embarcações para navegar em baías diferem daquelas concebidas para navegar em mar aberto. O conhecimento tradicional dos marinheiros que demandam águas costeiras ensina que se o acesso ao mar for feito por barra de rios a embarcação diferirá em molde de armação daquelas que demandam o oceano a partir de enseadas (BARATA, pp.155 – 180).

O principal material na armação de embarcações artesanais é a madeira (OLIVEIRA, 1991; CASTANHEIRA, 1991; FERNANDEZ, 1995, LAVANHA, 1996). Cada condição geográfica a ser navegada, mesmo dentro de uma mesma região, requererá feitios e moldes diferenciados que, para serem trabalhados, precisam dispor de árvores que lhes concedam as flexibilidades e densidades ideais ou disponíveis de caules (CASTANHEIRA, 1991).

O arranjo proposto pelo carpinteiro: tipo de embarcação, feitio, molde, características e objetivos da navegação e do navegador, considerará também a disponibilidade das madeiras ao seu alcance, mesmo que seja para reconvertê-las, restritas, por conseguinte, à natureza local e às épocas, dos anos e luas (CASTANHEIRA, 1991).
AS LEGISLAÇÕES ATUAIS
Compete, pois, ao projeto, seguir um esquema organizado, a partir de uma visão de conjunto, onde prevalecerá a sensibilidade e a observação que não podem estar descoladas das circunstâncias socioambientais e conjunturas econômicas vigentes.
EMBARCAÇÕES ARTESANAIS NO SUPORTE NÁUTICO E SUBAQUÁTICO
A arqueologia náutica orienta a recondução dos barcos de pesca e acarreia elementos simbólicos da cultura material e imateriais presentes na logística dos estaleiros artesanais das comunidades tradicionais, encontradas nos Açores e toda costa continental portuguesa.

Neste contexto, sob a ótica da construção naval artesanal o protagonista do projeto embasa a proposta à experiência pessoal, que no decorrer de quase três décadas, como proprietário e administrador de três estaleiros artesanais instalados respectivamente nas cidades de Arraial do Cabo e Cabo Frio, no estado do Rio de Janeiro (1974 – 1992), e no arquipélago de Fernando de Noronha, (1985 – 1997).


Nessas duas localidades a principal atividade profissional que exercia era de proprietário de empresa de mergulho por meio da qual atendia universidades, redes de televisão, dentre outras organizações não governamentais de proteção às criaturas marinhas, como os golfinhos, tartarugas, crustáceos, peixes e aves marinhas.
Dentre as atividades submersas estavam também incluídas as ações de suporte a Marinha e a Força Aérea para localização e resgate de aeronaves e navios soçobrados ou a deriva.

A arqueologia náutica e subaquática era a disciplina empregada para fazer as operações segundo metodologia científica, permitindo emitir relatórios oficiais que alimentavam o Banco Internacional de Dados Oceanográficos.

A necessidade de garantir a segurança das operações de mergulho exigiam o uso de barcos com recursos alinhados a exigências e, nesses sentido, foi aspecto preponderante e decisivo fazer a reconversão de embarcações.
A opção de reconverter embarcações artesanais era de manter equidade com os valores culturais náuticos dessas duas localidades. Os investimentos foram dirigidos para adquirir o espaço marítimo onde fosse possível erguer o estaleiro para empreender a manutenção, reparos e adaptações nas embarcações artesanais.





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