O RISCO DESNECESSÁRIO
- margarete2331
- 8 de jan.
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Atualizado: 9 de jan.
Estudos constataram que em um mesmo contexto de tráfego, operadores de ambulâncias colidem 13 vezes mais e ferem 5 vezes mais do que os motoristas de veículos de passeio.

Os estudos realizados nos EUA demonstraram que o tempo economizado com o uso de luzes e sirenes pode ser insignificante em muitos casos. As estatísticas comprovaram que num grande centro metropolitano, os tempos-resposta usando luzes e sirenes desde o local de despacho da ambulância até a chegada onde está pessoa precisando de socorro médico, a ambulância chegou apenas 106 segundos mais rápida do que o deslocamento feito nos mesmos locais e nos mesmos horários sem utilizar luzes e sirenes.
Em cidades pequenas as remoções com luzes e sirenes, desde o local dos eventos até o hospital foram em média apenas 43,5 segundos mais rápidos do que sem luzes e sirenes.
O primeiro estudo concluiu que o tempo economizado raramente é relevante, enquanto o segundo concluiu que, exceto em casos extremos, as luzes e sirenes não são justificadas. Essa noção é antiga; há três décadas as agências nos EUA já limitavam o uso de sirenes.

Foi em 1994 que a Associação Nacional de Diretores Estaduais de Serviços Médicos de Emergências (NASEMSD) e a Associação Nacional de Médicos de Emergências (NAEM) emitiram um documento conjunto, enfatizando que o uso de luzes e sirenes deve ser reservado para situações em que os tempos-resposta da remoção médica podem comprovadamente melhorar a chance de sobrevivência ou a qualidade de vida do paciente.
Responder com sirenes e luzes de emergência a eventos que não representam risco de vida "parece insano", diz Jeff Clawson, MD, diretor médico e CEO da Medical Priority Consultants de Salt Lake City, UT, sendo ele um dos principais pesquisadores sobre o assunto. "Quando uma pessoa chega ao pronto-socorro, não calçamos as luvas e saímos correndo pelo corredor só porque alguém entrou pela porta", assevera Clawson.
Dr. Jeff Clawson é um protagonista do controle do uso das sirenes e luzes de emergência por meio do sistema Prioridade de Despacho, em que a gravidade das chamadas é avaliada pelo controlador de emergências que emprega um modelo padrão de perguntas-chave e, em seguida, define o nível de brevidade da resposta. Dessa forma, diz Clawson, “o uso de sirenes e luzes fica intimamente ligado aos procedimentos de despacho das ambulâncias”. "Uma vez determinada a condição na cena, instruções pré-chegada e pós-envio são repassadas ao chamador, de forma a não ser necessário ter aqueles poucos segundos de diferença que o uso das luzes e sirenes trazem como benefício. No entanto, se o controlador determinar a vantagem de fazer uso desses poucos segundos, então a ambulância poderá precisar de sirenes e luzes de emergência."

Outros estudos ainda descobriram que as luzes vermelhas intermitentes, por si só, parecem menos eficazes para alertar outros motoristas sobre a presença de uma ambulância do que outras combinações de cores, e que, em termos de visibilidade e resposta de outros motoristas, o amarelo-limão é preferível às cores tradicionais de veículos de emergência.
RESPONSABILIDADE IMPLÍCITA
Uma ambulância ao colidir, devido à velocidade e fragilidade das pessoas sendo transportadas no baú, tem potencial de provocar mortes e prejuízos, que inclui não apenas a perda do veículo, mas principalmente do pessoal médico para dar assistência a comunidade. Uma ambulância pode ser reposta na frota com razoável facilidade, mas uma equipe médica especializada precisa ser formada e isso demanda tempo, muito tempo.
QUE ISSO SIRVA DE LIÇÃO
A seguradora norte-americana VFIS tem em andamento 25 processos de responsabilidade civil por negligência médica nas remoções de emergência. Embora as informações sobre o total de indenizações sejam mantidas em sigilo, é possível estimar que o valor total chegue a milhões de dólares anualmente nos EUA.

PARADOXO DAS LUZES E SIRENES
Um exemplo do uso indevido pode ser tomado de uma estudante exemplar de 18 anos de idade que ficou paralítica após seu veículo ser atingido lateralmente por uma ambulância usando luzes e sirene. A ambulância estava removendo ao hospital um trabalhador com torção no tornozelo. A colisão deixou a estudante em coma por cinco meses; ao recuperar a consciência, foi constado que a lesão cerebral era permanente.
Ela nunca mais teria uma vida normal.
Dr. Jeff Clawson estudou o caso e disse não conseguir esquecer que essa perda lastimável aconteceu por causa de uma resposta apressada a uma torção no tornozelo.





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