CUIDADO! AMBULÂNCIA ...
- Randal Fonseca

- 29 de dez. de 2025
- 5 min de leitura
Atualizado: 3 de jan.
Uma ambulância não é conduzida por “motorista”, mas por “operador”, que assume as atribuições de Cumprir Missões com a responsabilidade de responder por suas ações.

Não há nada que represente a responsabilidade pessoal, profissional, e da organização, do que operar um veículo de emergência sob a leniência das isenções e privilégios concedidos por lei. Mas, o operador pode sofrer penalidades por negligência ou homicídio culposo.
Nos EUA operadores de veículos de emergência estão presos neste momento por terem se envolvidos em colisões que resultaram em mortes, e outros estão respondendo a processos.
SISTEMA DE PRIORIDADE DE ENVIO
Um sistema de recebimento de chamadas de emergências com orientações para o chamador conduzir procedimentos iniciais minimiza as respostas com luzes e sirenes.
O sistema ProQA foi lançado em Las Vegas (2007) pelo Dr. Jeff Clawson para orientar o trabalho dos atendentes controladores de emergências. Por meio de questões básicas o ProQA classifica as chamadas segundo diretrizes médicas pré-definidas que determina o tipo e a gravidade, categorizando o nível da emergência e a brevidade da resposta evitando estresse no trânsito.

BREVE HISTÓRICO
O sistema de Clawson foi experimentado naquela década em Salt Lake City, tendo demonstrado eficiência quando os atendentes do Sistema de Prioridade de Despacho recebem chamadas de pessoa histérica e sabem como controlar o estresse do chamador repassando instruções de procedimentos pelo telefone, enquanto simultaneamente envia a equipe da ambulância. Esse Sistema reduziu em 50% a necessidade de velocidade nas ambulâncias, diminuindo em 78%.9 o número colisões ao eliminar a necessidade de exibir luzes e fazer soar as sirenes das ambulâncias.
A TRADIÇÃO DOS SINOS DE ALERTA
No passado, navios e locomotivas usavam sinos com a finalidade de alertar rotas de colisão. Também o gado, assim como viaturas de bombeiros, tinha sinos de alerta instalados.

Atualmente em vez de sinos os veículos de emergência utilizam sirenes. E recentemente as sirenes podem varia os timbres. No entanto, quando entrevistamos técnicos que instalam sirenes e operadores dos veículos de emergência, constatamos que nenhum deles sabia exatamente a real finalidade de quando e por quê soar diferentes timbres de alerta.
Foi interessante perceber que os entrevistados tentavam encontrar uma explicação para a função dos tipos de sons. Então o que vimos foi vaticínios sobre o objetivo dos timbres, que incluíram razões como a de alertar motoristas distraídos, pedestres cruzando as vias, ou para informar policiais que a ambulância estava se aproximando de um cruzamentos com semáforo exibindo luz vermelha.
NADA DISSO É FINALIDADE DOS TIBRES DAS SIRENES
Na realidade, os diferentes timbres foram desenvolvidos para operadores variarem o som da sua sirene ao se aproximarem de cruzamentos, de forma que possam distinguir a própria sirene de outras sendo soadas no local, por veículos vindo em rota de colisão. Ou seja, uma pessoa com a sirene bem próxima da sua orelha, não consegue distinguir a sua de outra igual sendo soada por outro veículo de emergência, ou por vários, como pode ocorrer ao se aproximar de uma cena complexa, ou por exemplo em um cruzamento de várias vias, ou ao se aproximar do hospital de referência. Então ao variar os timbres, há como diferenciar a sua sirene de eventuais outros veículos nas proximidades.
TECNOLOGIAS EMBARCADAS
Tecnologias para auxiliar nas prioridades podem ser usados nas ambulâncias para forçar o semáforo a exibir luz verde antes de chegar lá. Uma vez que o tráfego transversal seja interrompido, é muito mais seguro cruzar a via. Mas, se dois veículos com preferência utilizarem o recurso ao mesmo tempo, o sistema exibirá luz verde apenas para um deles.

PREPARAÇÃO DOMÉSTICA
Por outro lado, o Dr. Jeff Clawson reitera que as ambulâncias não precisam impor velocidade quando o chamador está preparado para informar a condição médica da pessoa precisando de ajuda, e saiba proceder em favor da vítima enquanto aguarda a ambulância.
Clawson define a interação entre chamador e atendente como instruções “pós-envio” e “pré-chegada”. Ou seja, pessoas precisam participar de um programa de educação pública com objetivo de treinar indivíduos em primeiros socorros de alta qualidade e para que saibam como obter informações repassadas via telefone pelos telecomunicadores.
As informações “pós-envio” tem a ver com a segurança na cena, tanto para a vítima, como para equipe médica na ambulância que, durante o trajeto, acompanha as comunicações.
As instruções “pré-chegada” são orientações médicas categorizadas pelo sistema ProQA, consistentes com o conhecimento que o chamador possua em primeiros socorros. Com isso, há redução significativa do estresse de todos os envolvidos, eliminando a ansiedade e a consequente a necessidade de utilizar luzes e sirenes para “abrir caminho” e acelerar.
As informações médicas repassadas ao chamador podem ser em diferentes idiomas e ficam gravadas nos celulares conectados, servindo inclusive para posterior registro documental.

PREPARAÇÃO DOS OPERADORES
O Curso CEVO III oferecido pela RTI Brasil, tem um formato diferente de apresentar o conteúdo. Esse curso é um processo interativo, que em vez de ter um instrutor a repassar informações, promove discussão entre os alunos e cada um traz um ponto de vista.
O ponto principal das discussões é que os alunos concordam que não dá para saber como os motoristas nas vias reagirão ao encontrar uma ambulância. Os participantes relatam um aspecto comum observado quando os condutores nas vias se deparam com a ambulância.
Pelo fato de exibir luzes e soar sirenes, os motoristas buscam uma forma de dar passagem, que inclui desde parar subitamente, até acelerar e avançar sinal vermelho. Essas diferentes decisões resultam de estar ouvindo a sirene e não saber de onde o som está vindo.
Neste aspecto, é lícito lembrar que o som da sirene libera adrenalina, não apenas nos motoristas que precisam dar passagem, mas também nos operadores que precisam entender como cada motorista sairá da frente, ou se sairão ou não da frente.
ESTAR NA AMBULÂNCIA
Tanto como operador, equipe médica ou paciente, estar na ambulância representa um risco muito maior do que estar em outros tipos de veículos. Não obstante fatalidades ocorrem com frequência em veículos de emergência. E, apesar do crescente reconhecimento e dos esforços para evitar o problema, os indicadores demonstram que isso não está diminuindo.
OS FATORES DE RISCOS
Embora muitos fatores contribuam com o risco. o mais preocupante — e certamente o mais difícil de resolver — é o erro humano. Não apenas erros de outros motoristas, que muitas vezes não têm o conhecimento nem habilidade mental para dar passagem a veículos de emergência, mas também erros dos próprios operadores de ambulância por acelerarem.
Dada a premência em chegar ao destino e a responsabilidade, não apenas de operar, mas principalmente em garantir que a equipe médica possa atender a pessoa em emergência, os operadores de ambulância se tornam vítimas da adrenalina. Por isso o treino intensivo e educação abrangente estão entre as chaves para reduzir os riscos das fatalidades evitáveis.





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