ESTRESSE DO SOCORRISTA (3)
- Randal Fonseca

- há 2 dias
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O processo de tristeza - luto

MODELO TEÓRICO DO ESTRESSE
O modelo teórico sobre o estresse descreve o encadeamento das respostas hormonais experimentadas por pessoas que presenciam o sofrimento, a morte ou alguém morrendo.
A resposta emocional é o luto ou tristeza percebida como reação humana comum, que permite classificar em estágios com base nas mudanças da reação natural ao luto.
Familiares das vítimas, amigos e socorristas experimentam o processo de tristeza - luto.

OS CINCO ESTÁGIOS DO LUTO
Negação
Raiva
Ajuste
Depressão
Aceitação
Negação (Eu não!).
A negação no processo de tristeza é a primeira reação. Uma pessoa negando a realidade estará apenas não aceitando o que está acontecendo. Este estágio é uma autodefesa para a pessoa vivenciando a situação. Esse mecanismo de defesa é uma reação humana normal.
Raiva (“Por que eu?”).
A raiva no processo de defesa é o segundo estágio. A pessoa experimentando o estágio da raiva, preferencialmente deverá aceitar a reação, pois facilitará lidar com a vítima ou com os familiares. O socorrista não deve ase colocar na defensiva, pois a raiva transita para o ajuste.
É possível atender a cena sem que a raiva de outras pessoas interfira na qualidade dos procedimentos. É lícito lembrar que a raiva pode ser contra qualquer pessoa na cena. Assim, o socorrista deverá controlar suas emoções, porque introjetar levará ao Burnout.

A raiva precisa ser redirecionada. Por exemplo, ao atender uma colisão de veículos a raiva pode advir de constatar que a criança na cadeirinha de segurança está gravemente ferida por não ter sido afivelada de forma correta ao dispositivo. A raiva, neste caso, pode ser direcionada para fazer o melhor atendimento possível à criança atingida.
Ajuste (“Sim, mas...”).
O ajuste corresponde ao terceiro estágio do processo de tristeza. Ajuste é a tentativa de fazer um acordo, uma barganha, para adiar a situação ou fazer a condição desaparecer.
Se encontrar a vítima no estágio de “ajuste”, o socorrista deverá fazer comentários positivos e verdadeiros, como: “eu farei todo possível”; os médicos logo estarão aqui”.
A pessoa no estágio do "ajuste" estará negociando com o evento.
Depressão (“Não acredito...”).
O quarto estágio é a depressão que se caracteriza por um desânimo profundo.
Neste estágio, as pessoas ficam quietas e introspectivas e sem reação. A depressão é o início da transição para aceitar a realidade. Uma vítima ou entes queridos podem subitamente entrar em depressão ao presenciar seu familiar ou amigo morrendo ou morto. Da mesma forma, essa reação pode levar o socorrista à entrar em depressão.

Os conceitos ocidentais tendem a considerar a morte como uma falha técnica ao invés de um evento natural inerente aos seres vivos. O estágio da depressão pode variar em níveis classificados como depressão profunda e de longa duração ou branda, de curta duração.
Aceitação (“É, tá...fazer o quê?”).
O quinto estágio do sentimento de tristeza é a aceitação. Aceitar não significa que a pessoa ficou satisfeita com a condição. Significa apenas que foi capaz de entender que a morte não pode ser revertida. Isso pode demandar tempo até que a tristeza seja assimilada.
SOBRE ESSES CINCO ESTÁGIOS
O luto (da tristeza) fica bem-evidenciado em pessoas que acompanharam algum familiar com doença incurável e aceitaram que iria morrer. Nem todas as pessoas superam e aceitam a perda de um ente querido. Os efeitos podem perdurar por muito tempo.
INTENSIDADE DOS NÍVEIS DE ESTRESSE
É possível prevenir ou reduzir a intensidade dos níveis de estresse, reconhecendo os sinais e sintomas, ajustando o estilo de vida e conhecendo os recursos para controlar os efeitos.
É necessário entender como o estresse ocorre e como afeta os socorristas que atendem pessoas gravemente feridas ou morrendo. Esse tipo de relacionamento pode ser considerado como causa do estresse grave.

PRINCIPAIS E SINAS E SINTOMAS DO ESTRESSE
1. Irritabilidade
2. Desconcentração
3. Mudanças de humor
4. Insônia e pesadelos
5. Ansiedade
6. Indecisão
7. Sensação de culpa
8. Perda de apetite
9. Desinteresse sexual
10. Efeito sanfona
11. Relaxamento no trabalho
12. Isolamento
TEMPO DE DURAÇÃO DO ESTRESSE
Cada estágio variará de acordo com as características pessoais. Os indivíduos apresentam diferentes compassos ao transitar de um estágio para outro. No modelo teórico foram definidos cinco estágios das reações na presença da morte ou de alguém morrendo.





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