DESCARRILAMENTOS (6)
- Randal Fonseca

- há 23 horas
- 7 min de leitura
Atualizado: há 8 horas
A COMPLEXA COMPREENSÃO DA COORDENAÇÃO MULTIAGÊNCIA
A preparação das equipes e as decisões políticas-estratégicas
ELEMENTOS DA GESTÃO DE EMERGÊNCIAS
Diante da positiva repercussão da Gestão de Emergências, o Presidente da Câmara Municipal de Propensa a Crises convocou Jane para explicar os métodos adotados.
A APRESENTAÇÃO DA JANE AOS POLÍTICOS NA CIDADE PROPENSA A CRISES

Jane teve noção da importância da missão e iniciou parabenizando os políticos por se interessarem sobre o sucesso do Programa Estratégico de Gestão Emergências (PEGE).
A TEMA CENTRAL DA APRESENTAÇÃO
Jane reafirmou que o PEGE foi decisivo para solucionar os problemas políticos, estratégicos e financeiros que ameaçaram a imagem da cidade. Jane explicou que para o PEGE ter sido eficaz, foi necessário contar com a ajuda do Editor Chefe do JGE, para alinhar por meio da Coordenação Multiagência as divergências políticas-financeiras das diferentes lideranças.

O CONTEXTO
Jane descreveu o evento em que duas composições de diferentes empresas; uma com substâncias químicas e a outra com passageiros viajando em sentidos opostos, descarrilaram na ponte ferroviária sobre a rodovia federal que margina a cidade. Então disse Jane, tivemos várias organizações envolvidas, como governo federal responsável pela rodovia, as duas empresas férreas, a proprietária dos trilhos, e os afretadores das cargas.

O CENÁRIO
Jane reiterou que o vazamento de produtos perigosos atingiu vários veículos, trazendo ao desastre proprietários dos automotores, o Corpo de Bombeiros que conteve o vazamento, os Serviços Médicos Móveis de cidades vizinhas e os hospitais que receberam as vítimas.
COMPARECERAM À CENA
Pessoas residentes em Propensa a Crise, moradores das localidades vizinhas, repórteres e familiares das vítimas, além das lideranças e altos funcionários das empresas envolvidas.

AS HABILIDADES DA JANE
Jane, antes de continuar, mediu cada expressão facial dos participantes e cada movimento ao se ajustarem às cadeiras para ter certeza de que todos estavam dando a atenção, pois precisaria justificar os investimentos feitos e avançar com explicações dos fatores de risco.

Jane percebeu nas expressões da audiência ter despertado o interesse pelo PEGE.
Além de ter adquirido confiança na sua competência gerencial, Jane se tornou ágil em responder perguntas inquietantes e, com presteza, descreveu o perfil das organizações envolvidas, pois foram os seus gestores que produziram o amalgama do descarrilamento.
Jane foi comedida e com voz ensaiada enfatizou ter sido a “imperfeição nos trilhos” que desencadeou os eventos subsequentes. Ela acrescentou que houve falha no manejo da ferrovia, pois permitiu que as duas composições se cruzassem exatamente sobre a ponte.

Então, Jane explicou que quando os trilhos sobre o trecho suspenso balançaram, os vagões contentores se encostaram e os produtos perigosos vazaram, atingindo veículos na rodovia subjacente. Jane reiterou que prevenir desastres é a função da Gestão de Emergências.
IDENTIFICAR PERIGOS E ANALISAR OS RISCOS
Neste ponto do colóquio, Jane incentivou os participantes a refletirem sobre os diferentes níveis de responsabilidades, ressaltando que as empresas e governos precisam antecipar as medidas de mitigação dos riscos criados pelos perigos conhecidos e potenciais.
As investigações pós-impacto revelaram que nenhuma das organizações envolvidas analisou os riscos dos perigos que elas mesmo criaram – as responsabilidades implícitas.

A POLÍTICA DE CONTINUIDADE
Jane percebeu ter obtido a atenção que precisava e reiterou o objetivo do PEGE. Modulando a voz, Jane ressaltou que a gestão de emergências espera pelo inesperado, e completou, enfatizando que essa é a responsabilidade fundamental dos gestores.
AS RESPONSABILIDADES
A previsibilidade de desastres futuros é o desafio que subjaz à gestão de emergências.
É o nível de projeção dos desafios criados pelas sociedades que orienta a preparação dos recursos que ficam consignados ao Sistema de Coordenação e Comando (SCC). É essa ferramenta SCC que possibilita a eficácia das repostas com os esforços cooperados.
A responsabilidade de todos vocês neste colóquio é a de garantir a continuidade do PEGE, para além das alternâncias de vossos mandatos. Foi aí que Jane se deu conta de que havia conseguido transmitir a mensagem, pois os aplausos anuíram ao entusiasmo dela.

SABER MAIS SOBRE AS ORGANIZAÇÕES ENVOLVIDAS
Como Jane prometera, ela discorreu sobre as responsabilidades dos envolvidos no evento.

Jane deixou claro que cada organização contribuiu com o agravo, na seguinte ordem: os trilhos pertencem a uma mineradora de iniciativa privada, a companhia petrolífera federal arrendou os contentores; um empesa privada intermediou o arrendamento dos vagões contentores; o trem de passageiros pertence a uma empresa privada de turismo internacional que paga pedágio para trafegar nos trilhos da mineradora.

Também, passageiros nacionais, e os ocupantes da maioria dos veículos atingidos na rodovia federal subjacente à ponte tinham apólices de seguro de empresas multinacionais. Os atuários contribuíram na apuração, objetivando as compensações indenizatórias.
FERRAMENTAS DA GESTÃO DE EMERGÊNCIAS
Sob o ponto de vista técnico-científico, objeto principal do colóquio, Jane explicou aos presentes que a complexidade do incidente pode ser eficazmente equacionada seguindo o Plano de Operações de Emergências (POE) do município.

Como previsto no POE, o Sistema de Coordenação e Comando (SCC) foi estabelecido.
Jane lembrou aos presentes que o SCC já é matéria do conhecimento de todos. Daí, seguindo o rito previsto, as ações de resposta implicaram em estabelecer o perímetro de segurança, instalar o Posto de Comando, a Base, o Pátio de Operações, a Concentração e um Heliponto, já que o heliporto opera dentro do aeroporto regional da localidade.
PLANOS DE AÇÕES EM EMERGÊNCIAS
Segundo as normas internacionais ditadas pela NFPA, todas as empresas precisam ter um Plano de Ação de Emergências (PAE) atualizado com base nos dispositivos do POE. Assim, seguindo essa ordenança, recursos categorizados foram recrutados para integrar esforços.
A COORDENAÇÃO MULTIAGÊNCIA (CMA) NO CENTRO DE OPERAÇÕES (COE)
A função da CMA no COE é garantir que os representantes das organizações envolvidas possam se posicionar em relação as prioridades, como o tempo-resposta e o financeiro que inferem na alocação de recursos adicionais solicitados pelo Comando na Cena.

Para isso, cada agência envolvida na CMA precisa ter acesso a informações padronizadas sobre a situação e o status dos recursos disponíveis, tanto ativados como em prontidão.
Jane referiu o investimento que o prefeito fez ao qualificar pessoal e preparar instalações com infraestruturas para dar funcionalidade às comunicações, gestão de informações com inteligência, alimentação e local para repouso, considerando eventos de longa-duração.

Com a CMA bem-estruturada, a responsabilidade sobre as políticas e finanças não recai sobre o Setor de Operações na cena. Jane insistiu que essa é a questão crítica, porque para chegar a um consenso político-financeiro as lideranças das organizações envolvidas precisam ter noção sobre o resultado das decisões que tomarão.
Assim, disse Jane, a CMA é essencial para as lideranças assumirem posições coerentes com a resposta. E, para que todos convirjam a um nível de consenso coerente que acompanhe a dinâmica e complexidade de eventos socialmente perturbadores é preciso conhecimento.
Jane respondeu questões incômodas levantadas sobre a necessidade de as lideranças e jornalista participarem de formação para obter o credenciamento que dá acesso a CMA.

Jane alertou não ser suficiente ter a autoridade pública: “todos vocês precisam alcançar a competência técnica para tomarem as decisões na CMA". Isso é o processo de integração.
CONHECER O CONTEXTO DA CMA
As atribuições na CMA precisam ser bem-conhecidas, inclusive pela mídia e, com isso, evitar responsabilidades fora do contexto da CMA. Essa é a razão de a CMA ter um único canal de comunicação com a cena e com a sala de imprensa, onde são emitidos os releases.
Jane aproveitou para explicar que o sistema CMA nem sempre é um local físico, pois por conveniência e uso otimizado das tecnologias, a CMA pode reunir por teleconferência.
Jane reiterou que isso é possível porque todos na CMA seguem os protocolos que orientam os procedimentos para integrar os recursos em um modelo escalonável.
Isso significa que a CMA pode expandir e contrair, segundo a complexidade do impacto.

FLEXIBILIDADE DA CMA
A flexibilidade da CMA em contrair e expandir possibilita uma resposta consistente entre agências locais, estaduais e federais.
O SCC pode adotar o Comando Unificado, em substituição ao Comando Único.
COMPLEXIDADE DA CMA
Devido à tomada decisões que envolvem pontos de vista das empresas e órgãos de governo local, estadual e das instâncias federais e internacionais, incluindo as seguradoras e mídia, a CMA exige que as lideranças compreendam a função do comando na cena.
O comando na cena é único, mas os recursos aumentam com a expansão da complexidade

Jane acrescentou que a CMA atua “apenas em nível estratégico” superior ao operacional.

Jane reiterou que a CMA é especialmente importante quando os recursos são limitados.
As decisões na CMA são tomadas com base nas informações consolidadas das operações em curso, para autorizar aquisição de equipamentos e para transferência de recursos a outras cenas simultâneas, no caso de incidentes múltiplos como ter descarrilamento sobre a ponte, derrame químico sobre a estrada e colisões de veículos no nível da rodovia.
Jane enfatizou que a CMA não dá as agências nenhuma autoridade de comando na cena.

Jane encerrou o colóquio agradecendo aos participantes pela contribuição em posicionar a Coordenação Multiagência como um sistema a contribuir com as soluções nas respostas.
A CONSAGRAÇÃO DA JANE
Jane Iniciante era o apelido carinhoso que os membros da prefeitura de Propensa a Crises haviam atribuído àquela estagiária que trouxe o JGE como fonte de um saber inovador.

Após o colóquio os membros da Câmara Municipal e os vereadores propuseram que Jane fosse efetivada como gestora de emergências manter o desenvolvimento do PEGE .
O DESENLACE
O nome de Jane se tornou referência em Gestão de Emergências. Os municípios vizinhos recorreram a administração de Propensa a Crises para aprender como implementar o PEGE.
Devido a integração de esforços cooperados sob a Coordenação Multiagência as equipes garantiram um alto nível de qualidade organizacional. Todos os custos decorrentes das ações na resposta e recuperação foram contabilizados e o que teria imenso potencial de perdas, sofrimento e prejuízos reputacionais se tornou um marco de sucesso na cidade.
O nome da cidade foi então alterado para “Propensa ao Sucesso”, e a Jane deixou de ser a “estagiária iniciante” para se tornar referência dos paradigmas da Gestão de Emergências.
Em consagração a Jane, aquela data passou a ser de celebração municipal – não de tristeza.





Comentários