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COLISÕES COM AMBULÂNCIAS

  • Foto do escritor: Randal Fonseca
    Randal Fonseca
  • 12 de jan.
  • 6 min de leitura

Os dados obtidos pela NHTSA (National Highway Traffic Safety Administration) dos EUA revelam que a maioria das mortes envolvendo ambulâncias é dos ocupantes dos outros veículos. Isso porque nas colisões o veículo maior e mais pesado, em geral, leva a melhor.


SOBRE A NHTSA

É a agência dos EUA responsável por reduzir mortes e ferimentos no trânsito, investigando defeitos veiculares, administrando recalls, promovendo os cintos de segurança, cadeirinhas infantis, e junto aos fabricantes controlando a eficiência do consumo de combustível.


SOBRE AS AMBULÂNCIAS

Esses veículos dedicados ao transporte de vítimas e pacientes gozam de isenções, privilégios e prioridade no trânsito, mas isso não isenta o condutor de responsabilidade civil e criminal em caso de colisões ou falhas no atendimento. A responsabilidade pode ser compartilhada com a equipe de saúde, a empresa ou o ente público responsável, dependendo das circunstâncias.


SOBRE O PADRÃO PARA AMBULÂNCIAS

O padrão KKK-A-1822 é conhecido como a especificação para as ambulâncias exibindo a Estrela da Vida (Star-of-Life), que estabeleceu os requisitos mínimos de projeto, segurança e construção para ambulâncias nos EUA desde 1974.


Esse padrão contempla aspectos que incluem o tamanho do paciente, ventilação, sistemas elétricos e marcações. A versão KKK-A-1822F foi substituído pelo CAAS-GVS, focado em melhores práticas baseadas em fatores humanos e pesquisas de desempenho.


SOBRE A ESTRELA DA VIDA

Desenhada por Leo R. Schwartz, Chefe do Departamento do Serviço de Emergência Médica (SEM) da Administração Nacional de Segurança do Tráfego Rodoviário (NHTSA), a “Estrela da Vida” foi criada após a Cruz Vermelha Nacional Americana ter reclamado, em 1973, o uso da cruz Omaha que imitava o símbolo da Cruz Vermelha.

A NHTSA investigou e considerou a objeção justificada. Então um novo desenho, foi desenvolvido para ser o símbolo de identificação da Associação Médica Americana, certificada como marca registrada em 1 de fevereiro de 1977 em nome da Administração Nacional de Segurança do Tráfego Rodoviário.


SOBRE QUANDO EXIBIR A ESTRELA DA VIDA

A Estrela da Vida quando exibida nos veículos indica que atendem às normas do Departamento de Transporte dos EUA e garante que o pessoal médico foi treinado para atender essas normas.


SOBRE A RESPONSABILIDADE CIVIL

É a obrigação de indenizar a vítima por danos materiais, morais ou estéticos.


SOBRE A RESPONSABILIDADE DA EQUIPE

O operador da ambulância deve estar qualificado para agir com prudência e habilidade. Se houver comprovação de imprudência, negligência ou imperícia, mesmo nas respostas de emergências, a exemplo da velocidade incompatível com a segurança do trajeto, desrespeito às regras básicas de segurança, a equipe (e despacho) pode ser responsabilizada civilmente.


A agência pública ou organização que possui ambulância, assume a responsabilidade objetiva pelos danos causados por seus agentes no exercício da função. Em geral, a vítima não precisa provar a culpa da instituição, apenas o dano e o nexo de causalidade com o serviço prestado.


No entanto, a organização pode mover ação regressa contra o operador por culpa ou dolo.


A equipe a bordo da ambulância, especialmente o médico, é responsável pela segurança.


SOBRE O DIREITO DE PRIORIDADE

O princípio de “prioridade” não é um salvo-conduto para conduzir de forma impudente.

Se ocorrer colisão ou batida por uso de álcool ou droga, ou conduzir de forma perigosa, mesmo com a sirene ligada, o operador responderá criminalmente por ignorar as regras de segurança.


SOBRE A RESPONSABILIDADE CRIMINAL

Se for comprovada a omissão da organização proprietária da ambulância em fornecer condições seguras de trabalho, manutenção do veículo ou descumprimento de normas, os gestores podem ser responsabilizados criminalmente.


ASPECTOS RELEVANTES

A equipe NHTSA analisou os interiores de ambulâncias que transportavam as crianças, pois no caso de o veículo colidir, o potencial de lesões não era apenas nos membros da equipe, mas deveria contemplar a fragilidade das crianças, e de eventuais  outros ocupantes.


As revisões constataram que metade dos pacientes não usava cinto de segurança, e que vários equipamentos médicos ficavam livres ou apenas com fixação mínima.


Essas descobertas resultaram em um conjunto de diretrizes para o transporte de crianças em ambulâncias, e contenção dos equipamentos, mas o trabalho estava só começando.


CONSIDERAÇÕES DOS RISCOS

Diante dos diferentes tipos de plataformas veiculares utilizadas para montar ambulâncias, o objetivo foi de identificar qual delas oferecia o melhor custo-benefício. A recomendação foi de a equipe monitorar as ambulâncias engajadas no transporte de crianças aos hospitais.


Foram considerados a quantidade de ocupantes e seus pesos corporais, além dos equipamentos instalados e assessórios. ´Há que levar em conta que testes automotivos são realizados com bonecos de colisão, sem considerar quantas pessoas podem estar no veículo, onde estão sentadas, e quais equipamentos fixos e soltos estão a bordo.



O objetivo dos estudos foi determinar as colisões mais perigosas e identificar os mecanismos de lesão específicos. Esse levantamento teve a finalidade de garantir a segurança de qualquer pessoa viajando na parte traseira da ambulância, onde equipamentos têm potencial de ameaçar a vida ao serem projetados em uma colisão.


Parece injusto esperar que o paramédico focado no atendimento do paciente, precise fazer seus próprios cálculos do nível da segurança veicular nos diferentes trajetos, além de ter que controlar os equipamentos soltos a bordo e livres para serem arremessados.



PADRÕES DE CONSTRUÇÃO

Associação Americana de Ambulâncias elabora padrões a serem adotados para construção de ambulâncias, e esses padrões tem sido a referência oficial definitiva. A especificação K incorpora diferentes tipos de requisitos", explica Mel Globerman, chefe do Departamento de Engenharia e Gestão de Commodities do Escritório de Aquisição e Leasing de Veículos.


A especificação K abrange requisitos de projeto e de desempenho funcionais, uma vez que é um documento flexível e, portanto, permite a adaptar a necessidades de cada agência, ao mesmo tempo em que garante níveis mínimos de qualidade e segurança.


Embora a adesão à especificação K não seja obrigatória, muitas agências exigem que que esse padrão seja adotado nas ambulâncias, e por isso é referência para o setor.


As recomendações relacionadas à segurança incluem:

  • Padrões de distribuição de peso, da frente para trás e lateralmente;

  • Freios autobloqueio obrigatórios (já são exigidos por lei);

  • Luzes de circulação diurna.

  • A proibição de suportes de soro retráteis que podem causar ferimentos;

  • Requisitos para cintos de segurança de bancos e ancoragens de macas.


Os sistemas de iluminação externa, preferencialmente, devem trocar o vermelho escuro para o rosa choque que é mais brilhante e permite uma saída de luz mais eficiente.


O PONDERÁVEL E O POSSÍVEL

As tecnologias ajudam rapidamente a liberar uma via, a exemplo do Waze. Esse APP é usado na navegação GPS para celulares que usa dados em tempo real da comunidade de motoristas para oferecer as rotas mais rápidas, alertas sobre o trânsito, retenções, radares e perigos, com informações atualizadas continuamente pelos próprios usuários, funcionando como uma rede social de trânsito para otimizar o deslocamento de todos no trânsito.


SOBRE AJUDAR AS AMBULÂNCIAS

Além dos dados colaborativos reunidos a partir das informações enviadas por milhões de usuários, o sistema WAZE analisa as condições de tráfego e estima o tempo até o destino.


Também o WAZE avisa os condutores sobre dejetos na pista, colisões, obras, blitz policial e vai corrigindo as informações conforme as condições do trânsito à frente.


A condução com o apoio do WAZE sugere rotas ponto a ponto, com guias de voz que ajusta as orientações do caminho em tempo real para fugir de congestionamentos.


Um recurso precioso do WAZE é a emissão de alertas comunitários alimentado pelos usuários que reportam e recebem alertas sobre perigos de várias naturezas, como buracos e condições climáticas. Também por meio do WAZE é possível configurar a rota para evitar pedágios, travessias com balsas, e rodízios restritivos em algumas cidades.


Mas onde estão as ajudas às ambulâncias?

As ambulâncias utilizam de forma independente as sirenes e luzes para alertar os motoristas que precisam sair para o lado abrindo passagem. Então a questão é: “por que o WAZE só informa o que está na frente e nunca o que está vindo por trás, com premência de passar, como é o caso dos veículos de serviços de emergência?


A reposta precisa ser dada, porque se as informações repassadas são obtidas pela participação ativa dos motoristas em tempo real, cumpre então ao operador da ambulância, por exemplo, ter um link direto com o WAZE para comunicar a rota que precisa utilizar para ir ao local de uma ocorrência, ou para ir da cena até o hospital de referência.


Cumpre então ao Waze alertar motoristas nos trajetos que estiverem na frente da ambulância a saírem antecipadamente para o lado, abrindo com tempo favorável a passagem do veículo de emergência, sem ter que usar luzes e sirenes. Só isso.


Essas tecnologias podem antecipar a mudança dos semáforos para garantir a onda verde dando nos cruzamentos a prioridade de passagem aos veículos de emergência.


A prioridade de veículos de emergência.

O objetivo é buscar sempre formas de aprimorar o tempo-resposta e a segurança de todos. Esse sistema WAZE já existe há vários anos, mas até hoje não está auxiliando especificamente a prioridade das ambulâncias. Esse sistema WAZE torna as operações em emergências mais confiável, mais econômicas, mas seguras e menos complexas de operar.


A despachante da ambulância pode alimentar o Waze, sem que o operador precise fazer.


LEMBRANDO A HISTÓRIA DAS SIRENES

As sirenes, como vimos no artigo JGE “Encanto das sirenes”, publicado há seis dias, tem duas vertentes principais: a mitológica que descreve como as ninfas gregas atraíam os marinheiros, e a técnica do estridor que faz motoristas saírem da frente da ambulância.



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