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GESTÃO DE EMERGÊNCIAS: ABORDAGEM EM TRÊS ATOS

Foto do escritor: Randal Fonseca
Randal Fonseca
há 5 minutos
5 min de leitura

PRIMEIRO ATO: EMBASAMENTO TEÓRICO


Ética absoluta na cultura da preparação

Perigos inerentes às sociedades industrializadas apresentam vulnerabilidades que podem ser tratadas, e há uma exigência técnica de se controlar as ameaças, investindo na formação e na qualificação de gestores com especialização para assumir esses desafios candentes.

Desde os primórdios, filósofos revelam que as pessoas procuram um padrão significado no curso dos acontecimentos, descrito como “alcançar a competência individual”.


No sentido contrário à cultura da individualização e tecnicidade que ao recusar fatalidades busca um meio de controlar e dominar, a gestão de emergências se caracteriza pela capacidade de formar e manter uma complexa rede de relacionamentos.


Esse conceito de sociedade no século XXI se deu a partir do momento histórico dos ataques às torres Gêmeas em Nova Iorque, e então houve uma mudança significativa, e agora tudo o que escapa ao controle dos eventos passa a ser intolerável, inaceitável.


A gestão de emergências não é uma esquisitice passageira: ela veio para ficar e solucionar.

Na busca pelo padrão significativo as tecnologias possibilitam antever eventos. No entanto, a maioria das pessoas ainda persegue os meios pré-definidos para alcançar metas, portanto, dependendo que alguém lhes diga qual é a meta e a forma de ser alcançada. Para esses gestores a liberdade de agir os confunde, pois se perdem nas decisões se não tiverem um norte ideológico. A liberdade de pensar, planejar e agir é a base que sustenta a motivação e entusiasmo para os gestores de emergências trabalharem com foco na produção da meta desejável e exequível.


A “liberdade” para escolher o plano de negócios está subjacente à confiança daqueles indivíduos que se autogovernam de acordo com a própria consciência e convicções, e se integram em uma malha de conhecimentos para solução dos conflitos criados pelas metas.


Sem a preparação e na ausência de uma rede que foque o desempenho das atividades laborais, a busca da realização aparece e, como consequência, surgem o medo e a insegurança. Esses são sentimentos pouco louváveis, mas inevitáveis no âmbito de uma cultura que rejeita a fatalidade. Um plasma ideológico legitima a ideia de destino.


A resignação não é compatível com as sociedades industrializadas, pois nelas o desejo é ter o controle para organizar e garantir eficácia. Mas a eficácia está relacionada a capacidade de antever resultados, independentemente de satisfazer o desejo de reconhecimento.


As pessoas que buscam reconhecimento fogem à proposta da Gestão de Emergências.  

As equipes se gratificam pela capacidade de interagir e realizar as metas com antevisão de resultados, e a partir daí é que desenvolvem a autoestima pelo trabalho conjunto realizado.



SEGUNDO ATO: O DESENVOLVIMENTO

A gestão de emergências inserida no contexto.


Embora o desejo de reconhecimento seja um fator de motivação que impulsiona indivíduos a participarem na etapa de resposta a emergências, há que se considerar a indispensável participação na etapa da preparação com a finalidade de conhecer os desafios e treinar as técnicas para cada contexto, que influenciará na formação e integração das equipes.


Emergências são eventos sem data, local ou magnitude que em quaisquer contexto oferece aos grupos oportunidades para desenvolver as ações sociais compreendidas por todos.


As ações em emergências incluem consolidar valores universais, como solidariedade, responsabilidade, respeito e justiça, compondo um universo que suscita conhecer a si próprio, ao outro, ao ambiente e aos recursos, formando a base da responsabilidade e da participação. Esses valores promovem o diálogo, com harmonia, interação e compreensão. As relações que se formam nas ações de resposta costuram o sentido da amizade, da aceitação, lealdade; equilíbrio, solidariedade, compreensão, generosidade e cooperação.


Esses fatores estimulam as pessoas a participar e a valorizar a si, aos outros e à coletividade.


Após a Guerra Fria os indivíduos buscam os meios e caminhos para sair da passividade.


As pessoas querem exercer o direito da liberdade para alcançar metas e melhorar a autoestima, para isso elas precisam se superar e receber reconhecimento pelos seus feitos.

Os princípios da participação levam ao pertencimento. Um imperativo categórico.


Os valores percebidos e praticados transformam-se na base da convivência nas comunidades influenciadas pelo contexto de integração promovido pelas empresas.


Independentemente da situação econômica de uma ou outra organização social, cada vez mais a moral obriga a lutar incansavelmente para conhecer os perigos naturais e as vulnerabilidades aos desafios antropogênicos e aos impactos de todas magnitudes.


A proposta é melhorar as atividades produtivas, investir em políticas da gestão de emergências e promover os benefícios das etapas de mitigação, preparação e resposta para recuperar dentro de tempos-resposta e custos conhecidos: um imperativo absoluto.


Quais fatores atingem a imagem da organização? Qual a competência dos gestores?


Para avançar na solução do problema inerente às vulnerabilidades, é necessário reforçar a avaliação da preparação para responder e recuperar. É preciso dar ênfase à “melhoria” do capital humano, da função individual, da qualificação, do treino e da preparação doméstica.


A negligência procedimental contribui com a ocorrência de eventos indesejáveis, não apenas no setor industrial, mas também nos transportes, no comércio e nas residências.



A responsabilidade por responder a emergências é a nova fronteira a ser cruzada por uma gestão determinada a garantir a confiabilidade das instalações de todos os nichos sociais: os trabalhadores e demais atores sociais devem ser parte do problema e da solução.


Estrategicamente, a gestão de emergências é o fenômeno central.

A gestão responsável suscita a atenção ao fator humano e à realização das pessoas, com a valorização do papel que desempenham nas sociedades. Os dirigentes devem controlar vulnerabilidades e contribuir com a preparação dos recursos para a resposta e recuperação.


Isso possibilita que as lideranças se sintam respeitadas e reconhecidas como responsáveis.

Uma gestão meramente tecnocrata deve ceder lugar a gestão de reconhecimento do empenho, com formação permanente, informação e respeito aos compromissos.

Também é essencial punir os abusos e assédios morais nas comunidades; caso contrário os grupos não acompanharão as tendências inquestionáveis deste século. Esses são fatores que promovem a qualidade das respostas a emergências e a recuperação dos desastres.


TERCEITO ATO: A CONCLUSÃO

O progresso da gestão de emergências


No campo da gestão de emergências o progresso se dá nas empresas e localidades, mas não pode estar limitado à formulação de regras ou a obediência a códigos e normas de conduta. A gestão de emergências deve se balizar por protocolos, diretrizes e padrões de procedimentos, com vista as instâncias de regulação, dos métodos permanentes de correção dos erros, para que não ocorram falhas que sucedam a primeira falha, e não aumente as patologias institucionais com as condutas inaceitáveis.


Fatal é o erro que negligencia a dimensão humana que subestima tudo aquilo que pode favorecer o bom ambiente nas equipes, as motivações, a satisfação dos profissionais, a autoestima, a valorização dos papéis em âmbito empresarial.


O objetivo é promover o sentido de se sentir seguro e estar protegido por seus pares, treinados e qualificados para evitar o agravo e reincidência das condições indesejáveis.


Perigos devem ser identificados, riscos mitigados e as vulnerabilidades precisam ser determinadas e fechadas. As respostas devem ser treinadas para níveis de resiliência.


Os custos das emergências precisam ser conhecidos sob a ótica do planejamento estratégico, com orçamento aferido por meio dos contratos consignados para reposição de insumos, correção dos erros e reposição das perdas a custos e com prazos pré-definidos.


Contratos consignados independem das áreas geográficas afetadas, pois são firmados considerando a susceptibilidade de cada ambiente a impactos. Cada detalhe é definido.



A gestão de emergências é incondicional, ampla, participativa, interativa, eficaz.


REFERÊNCIAS

BAUMAN, Zygmunt (2003) Comunidades. Editora Jorge Zahar: Rio de Janeiro.

BECK, Ulrich. (1998). Risk Society. Towards a New Modernity. Sage Publications. London Thousands of Oakes. New Delhi.

BECK, Ulrich. (1999). The Reinvention of Politics. Politic Press Cambridge: Oxford.

DEBORD, Guy. (1994). A sociedade do espetáculo. Editora Contraponto: Rio de Janeiro.

DRABECK, Thomas. E. (2010) The Human Side of Disaster. CRC Press: Nova Iorque.

GUIDDENS, Anthony. (2000). Mundo em Descontrole. Editora Record: Rio de Janeiro.

ILLICH, Ivan. (1976) A Convivencialidade. Editora Publicações Europa-América: Lisboa.

LIPOVETSKY, Gilles. (2005). Metamorfose da Cultura Liberal. Editora Sulina: São Paulo.

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