EMBARCAÇÃO TUMBEIRA #3
- Randal Fonseca

- 27 de mai.
- 3 min de leitura
Atualizado: 17 de jun.
OS NAVIOS ENGAJADOS NO PECADO
O tráfico Atlântico de pessoas escravizadas

O FLAGELO DA ESCRAVIZAÇÃO
O termo "navio negreiro", adotado por séculos, foi substituído por "navio tumbeiro", para coadunar com o nível de mortalidade dos escravizados durante as travessias do Atlântico.
O tráfico de pessoas arrebatadas das suas vidas na África, ficou marcado por violência, exploração, sofrimento e um alto número de mortes a bordo durante as travessias.
O uso da palavra "negreiro" para descrever a finalidade dos navios foi questionado, pois remete à ideia de "negro" como objeto de comércio, reforçando estereótipos racistas.
O COMÉRCIO TRANSATLÂNTICO DE ESCRAVIZADOS
Os navios tumbeiros foram considerados "comércio marítimo", e não havia controversas sobre o tráfego, pois era bem aceito pelas colônias. No entanto, devido a mudanças nos conceitos sociais esse tal “comércio” foi classificado de crime hediondo e pecado.

Segundo o Atlas de 2015, cerca de 35.000 viagens de escravizados foram realizadas.
De 1501 a 1867, aproximadamente "12,5 milhões de africanos" de "quase todas as nações com litoral atlântico" foram atraídas, sequestradas por desafetos e vendidos aos traficantes.
Esse comércio durou por 340 anos e foi a maior e mais desumana migração forçada registrada na História – a maioria foi trazida da costa oeste africana para as Américas.
O ÚNICO TRAFICANTE CONDENADO A MORTE
No litoral de Angra dos Reis (RJ) ao ser perseguido por uma fragata brasileira, o comandante Nathaniel Gordon, para não ser preso com 500 africanos, incendiou a embarcação e fugiu com sua tripulação. Após ser capturado, Nathaniel Gordon foi enforcado nos Estados Unidos e no dia 21 de fevereiro de 1862 , sendo o único americano que sofreu a pena capital por participar do tráfico.
VIOLÊNCIA ATRAI AUDIÊNCIA
Por quatro décadas, por lei, o trafico de escravizados era considerado pirataria, mas ninguém havia sido punido. Gordon foi o último a ser executado por "ato de pirataria".

O DESPERTAR DE UM NAUFRÁGIO DO PECADO
E o navio, foi também condenado à morte?
Será que navio “afundado” após ter sido incendiado por Gordon, tem o direito ao repouso eterno ou devido ao fetiche se tornará um troféu a ser erguido por caçadores de relíquias?

Mergulhadores despertaram o navio naufragado do “sono profundo” em Angra dos Reis.
Por ser uma embarcação construída nos EUA, segundo a Convenção da Unesco sobre a Proteção do Patrimônio Cultural Subaquático, para não causar problemas diplomáticos, para fazer investigação oficial dos vestígios submersos foi necessário obter autorização.
O FETICHE DE MERGULHAR EM NAUFRÁGIOS
O equipamento de mergulho autônomo teve sua gênese na França de Vichi (1943), como recurso tático de guerra naval. Mas ao fim da Segunda Guerra, as atividades submersas incluíram uma miríade de objetivos, sendo um deles a busca por navios históricos.

Milhares de cidadãos norte-americanos enriqueceram com navios e tráfico de escravizados.
Os norte-americanos alugavam navios aos traficantes brasileiros. Esses intermediários foram decisivos para o tráfico, segundo a Universidade de Idaho. Era os navios construídos nos nos Estados Unidos que abasteciam os postos de tráfico de escravos na costa africana.

Os norte-americanos eram conhecidos por alugarem navios aos traficantes brasileiros. Esses intermediários foram decisivos para o tráfico escravistas, segundo a Universidade de Idaho.
Assim, a afirmação de que a nacionalidade desses navios era sigilo foi desmentida.
DO PROFANO AO SAGRADO
Com a Lei Eusébio de Queiroz, 1850, o tráfico transatlântico de escravizados foi proibido.
A embarcação tumbeira incendiada por Nathaniel Gordon na costa do Rio de Janeiro foi encontrada há décadas por mergulhadores nativos de Angra dos Reis, mas mantiveram o local em segredo, para proteger da intervenção de aventureiros e de cientistas.
Recentemente, pesquisadores da UFS alegaram ter localizado o que" já estava localizado".
O que se deu foi arqueólogos subaquáticos tornarem o sítio do naufrágio do Camargo, oficialmente Protegido sob a declaração de patrimônio histórico-arqueológico.
Assim, o sítio da embarcação profana, que por décadas foi saqueada, se tornou local sagrado para os arqueólogos que o usam para promoção acadêmica junto a Mídia.
No contexto científico, além de arqueólogos subaquáticos a investigações incluíram oceanógrafos e biólogos que estudam os achados submersos sob diferentes óticas.

Assim, o brigue Camargo se tornou um restrito sítio de estudos. É isso mesmo? Sim, é a lei.
A CAPTURA DOS TUMBEIROS

Esses traficantes objetivavam o lucro, e com porões apertados amontoavam os africanos.

No sul dos EUA, a construção de navios para o tráfico era lucrativa e persistiu mesmo após a proibição oficial do tráfico internacional de escravos em 1808. Embora os sulistas usassem a mão de obra escravizada, era o Norte (Nova Inglaterra) o centro tecnológico e financeiro que combateu a escravização com a Guerra da Secessão (1865). Mas lá no norte, Boston e Baltimore, construíam "clippers" velozes para escapar das patrulhas antiescravagistas.




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