EMBARCAÇÃO PIRATA
- Randal Fonseca

- há 8 horas
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A pirataria com origem africana encontrava liberdade no mar
A PIRATARIA SEM PUNIÇÃO
OS PRIVILÉGIOS DOS PIRATAS NEGROS
Embora o tráfico de escravizados era considerado ato de pirataria, ninguém engajado neste comércio infame era punido. O Presidente Abraham Lincoln declarou que isso terminaria.
CAPTURA, JULGAMENTO E EXECUÇÃO DE PIRATAS NEGROS
Além do sentimento de liberdade que os piratas negros encontravam no mar, eles eram tratados de forma diferente quando as autoridades os capturavam. Então, se fossem escravizados fugidos, eles eram devolvidos aos seus senhores, mas se fossem negros livres, eram vendidos como escravos, portanto eles tinham bons motivos para ficar com os piratas.

Após desembarcar 500 africanos na Baía Bracuí, o comandante negro, Nathaniel Gordon incendiou o Camargo e fugiu para os Estados Unidos vestindo roupas femininas.

John Julian, o piloto do navio pirata Whydah, comandado por Samuel Bellamy, se tornou um dos membros mais estimados da tripulação. Depois que o Whydah afundou, Julian foi preso e vendido como escravo para John Quincy, avô de John Quincy Adam (nessa foto)

Os navios tumbeiros construídos nos EUA tinham vantagens no tráfico, porque eram rápidos para fugir de piratas e das embarcações de patrulha da Marinha Real Britânica.

Além das vantagens de fugir das autoridades navais, a velocidade encurtava o tempo de viagem, economizando mantimentos e água para manter vivas as cargas escravizadas.
A LEGISLAÇÃO DA INGLATRERRA CONTRA PIRATAS
A lei Aberdeen permitia que navios britânicos apreendessem qualquer embarcação de escravizados, mesmo em águas internacionais, e julgasse e condenasse os traficantes.
Mas, paradoxalmente as embarcações tumbeiras navegando sob a bandeira americana, ficavam protegidas e isso eliminava a ameaça da Marinha Inglesa no Atlântico Norte.

Ações navais e diplomáticas dos ingleses aumentaram o combate ao tráfico no Atlântico Sul.
OS JUÍZES E OS PIRATAS NEGROS
No século XVII, muitos juízes buscavam razões para não julgar os piratas negros porque acreditavam que eram escravizados. Mas, se não houvesse a evidência de que piratas negros eram realmente escravos, então eles presos, julgados, condenados e executados.

Na tripulação do Queen Anne’s Revenge, comandado pelo pirata Barba Negra (Edward Teach) fazia parte da tripulação o destemido César Negro. Após a morte do Barba Negra, treze piratas foram presos e condenados à morte em 1719, sendo que cinco eram negros.

Sir William Anderson, no comando do Quinsey, um navio tumbeiro americano, alegou no mesmo ano ao cônsul dos Estados Unidos no Rio de Janeiro que os navios armados nos EUA somente eram vendidos ao Brasil se a tripulação engajada fosse composta por marinheiros americanos, e que a navegação não demandasse nenhum porto na África.
Essas declarações esclarecem que não era intenção norte americana contribuir com os proprietários no sentido de perpetuar o tráfico de escravizados de forma livre e voluntária.
O ÚLTIMO NAVIO AMERICANO
O último navio a transportar africanos para o Brasil foi a escuna “Mary E. Smith”, que partiu de Boston em 1855, para o Espírito Santo em janeiro de 1856. Um vapor brasileiro, o “Olinda”, aproximou-se da escuna e a escoltou até Salvador, onde a bordo havia mais de 70 africanos mortos por doenças contraídas na viagem.
Essas e outras constatações de maus tratos levaram os britânicos a se posicionarem frontalmente contra o tráfico e comércio de escravizados e, até 1862 os americanos não permitiam que os ingleses investigassem as cargas de navios com a bandeira dos EUA.

Os americanos foram condescendentes com a escravidão, e no Golfo do México havia franca tolerância com pirataria. Embora essas duas atividades sejam estudadas separadamente, atualmente estão juntas pela conexão entre navios piratas e tumbeiros.
PESQUISAR É MAIS DIFÍCIL DO QUE TRAFICAR E PIRATEAR.
Os mergulhadores abriram a caixa preta dos naufrágios, e os diferentes objetivos das pesquisas submersas estão a revelar elementos esquecidos (propositalmente) pela história.
As evidências obtidas por meio dos vestígios submersos revelam que por séculos a costa de Angra dos Reis foi um “paraíso” para o tráfico africano, pirataria e contrabandistas.

Quando o século XIX avançava e o mundo parecia abandonar a era dos corsários e bandeiras negras, um nome Benito Soto Aboal, continuou a semear terror no Atlântico.
O ÚLTIMO PIRATA DO ATLÂNTICO
Benito Soto Aboal, o Galego que assustou o mar.
Nascido na Galiza, Soto passou de marinheiro a capitão pirata numa época em que a pirataria já estava condenada pelas potências: por isso ele é "O Último Pirata do Atlântico".

Sua história está ligada ao Defensor de Pedro, uma nave que, sob seu comando, protagonizou alguns dos ataques mais brutais e implacáveis do fim da pirataria clássica. Não só assaltavam navios: não deixavam testemunhas, uma prática que fez com que seu nome se espalhasse rapidamente entre marinheiros e portos.

Um dos seus episódios mais infames foi o ataque a um navio britânico carregado de passageiros, onde a violência atingiu níveis que até na época se revelaram escandalosos.
A partir desse momento, Soto passou de pirata para alvo internacional prioritário.
A fuga terminou em Gibraltar, onde ele foi capturado. Lá, em 1830, Benito Soto Aboal foi executado na forca, pondo fim à sua vida, e simbolicamente a séculos de pirataria atlântica.
Fala-se de cofres enterrados, de antigos obstinados e resistentes, e de finais românticos. Na realidade foi apenas um homem violento, temido e perseguido, que chegou tarde demais para ser lenda e muito cedo para ser esquecido.




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