CAP. 05 ENTERRAR A ORCA
- margarete2331
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Atualizado: há 3 horas
Uma vez envelopada, a carcaça seria tracionada para a parte mais elevada da praia. Um mosquiteiro de nylon é bem resistente, podendo ficar enterrado por longos períodos sem deteriorar, e é permeável para que os microrganismos decomponham os tecidos moles.
O tenente Israel teria um tempo para aprender as técnicas de taxidermia e poderia daí reconstruir esqueletos de outros mamíferos marinhos que viessem a morrer na região.
SOBRE A TAXIDERMIA
A taxidermia é uma arte. Cada osso deve estar completamente limpo e precisa ser perfurado de forma a passar arames finíssimos para unir as articulações. Porém, não seria possível no futuro contar com taxidermistas em Arraial do Cabo devido aos altos custos.
Por isso o Tenente Israel precisou fazer o curso e ser ele a montar o esqueleto.

OS PASSOS PARA INUMAÇÃO
O termo inumação se refere ao ato de colocar terra sobre o corpo sendo sepultado. Ou seja, é um sinônimo de sepultar, ou uma forma menos coloquial de se referir ao enterro. Usamos essa palavra para por ser um mamífero e, como tal, e pelo que testemunhamos, assumimos que a orca tinha sentimentos similares aos humanos.
SENTIMENTOS SÃO INTANGÍVEIS, MAS RECONHECIDOS
Embora seja complexo explicar sentimentos, podemos afirmar serem reais, e a realidade que experimentamos nas mais de dez horas do salvamento, evidenciou as semelhanças.

OS PREPARATIVOS
Um fator a ser vencido era o peso da baleia morta. Encontramos com o pessoal do Projeto da Marinha na tarde da quarta-feira, dia 9 de setembro, e combinamos o enterro.
LISTA DE DESAFIOS
Como remover a baleia da beira d’água para o alto da duna?
Qual embarcação ficaria engajada na operação?
Quem compraria a tela de nylon?
Quantas pranchas de madeira compensada seriam necessárias para deslizar o pacote?
Quem compraria as pranchas de madeira compensada?
Quando iniciaríamos e quanto tempo duraria a faina?
DESAFIOS ENFRENTADOS
A Marinha não tinha verba.
Seria a AQUA-RIO custeou toda a faina.
O barco da AQUA-RIO engajou todas as operações.
Demais insumos que a AQUA-RIO assumiu:
Cabos navais para fazer as amarras e cabresto
Cabos navais para fazer a tração
Combustível da embarcação Mergulhão
Combustível para a camionete da AQUA-RIO
Câmera fotográfica, filmes revelações e ampliações
Agasalhos e abrigos para a equipe
Alimentação e água potável
Soro fisiológico para lavar os olhos
Linha de costura para os 25m X 20 m de tela de nylon
Caíque com remos para desembarque na ilha
Facões, facas, tesoura, agulhas
Estojo de primeiros socorros
Graxa
Machado, enxadas, pás
Toras de madeira roliça
Pessoal da equipe AQUA-RIO para desempenhar tarefas
Operar a embarcação
Embarcar e desembarcar cargas
Colocar a carcaça sobre as pranchas de madeira
Untar as pranchas com graxa
Aplicar a força para tracionar a carcaça duna-acima
Dentre outras que serão descritas, a exemplo do ...

PLANO DE AÇÃO
A lua estaria quase cheia. Estávamos a correr contra o tempo. Com o insumo embarcado deveríamos suspender ferros às 5h30. O tenente Israel não veio, mas enviou um auxiliar.

PREPARADO PARA O INESPERADO
Naquela noite faltou energia elétrica em Arraial do Cabo, complicando a tarefa de reunir o material e obter combustível para a embarcação e para a camionete da AQUA-RIO. Mais tarde, por voltada das 23H00 completamos as tarefas e preparados para o inesperado.
EQUIPE AQUA-RIO
Composta por mim (Randal Fonseca), Marco Antônio (mergulhador), Leonora Fritzsche (fotógrafa). Paulo Hargreaves da SUDEPE. Éramos poucos, mas determinados.
Desembarque da carga.
Usamos um cabo de polipropileno da AQUA-RIO para dar laçadas firmes, atando postes de bambu para funcionarem como talas de imobilização a fim de estabilizar as vertebras.
Situação da carcaça
A carcaça estava em pleno processo de decomposição exalando um fedor fortíssimo.
Uma imensa quantidade de urubus, gaivotas e moscas compunham o cenário macabro.
Passamos o cabresto na orca. Cavamos e passamos o cabo naval ao redor do conjunto.
Leia no Cap. 06 as dificuldades para levar aquele peso imenso para o alto da duna.




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